No dia 24 de agosto, cerca de 5 mil pessoas ligadas a movimentos negros e de direitos humanos se manifestaram na Av. Paulista em São Paulo, pelo fim da violência policial e da violência de Estado. Manifestações simultâneas ocorreram em 20 capitais e quase 100 cidades. Outras atividades de conscientização e reivindicação estão programadas para mobilizar a opinião pública até o dia 20 de novembro, dia da consciência negra.
Na última semana, chamou a atenção de todos nós o discurso do presidente Lula na Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, em Paris, que contou com a presença de quase 100 chefes de Estado. Em um discurso improvisado, o presidente do Brasil abordou o problema da desindustrialização dos países da periferia do capitalismo, o enfraquecimento dos mecanismos de governança global, a falta de solução da questão palestina e criticou a hegemonia das negociações internacionais em dólar. Talvez o aspecto mais simples e contundente de seu discurso, entretanto, tenha sido a lembrança de que as conquistas dos primeiros governos petistas de combate à pobreza, à miséria e à fome foram perdidas, e os retrocessos no Brasil foram enormes desde o golpe parlamentar sofrido pela ex-presidente Dilma Roussef. Nesse sentido, Lula chamou a atenção para o problema da desigualdade, em todos os aspectos, que vem crescendo no mundo.
Para nós, educadores espíritas e progressistas, o tema do combate à pobreza e à miséria é o mais caro de todos. Temos há anos difundindo ideias para a formação de um movimento espírita mais crítico, menos alienado, mais politizado, mais centrado na ajuda ao próximo, menos neurótico, menos culpado e mais aberto à vida em toda a sua plenitude e complexidade… Mas quando a estrutura social abate os sonhos e possibilidades dos jovens, o espaço e o estímulo para todo o tipo de dissociação, fanatismo, perversão, cinismo, apatia e fuga da realidade se alarga.
Quando adolescente, fiquei encantado com o pensamento de José Herculano Pires (1914-1979). Através do livro “O mistério do bem e do mal”, comprado na livraria do Centro Espírita Amaral Ornellas, conheci o mestre de Avaré e sua escrita direta, fundamentada, sem firulas ou pieguices sentimentais, totalmente diferente daquilo que conhecia como kardecismo, aqui no Rio de Janeiro, extremante religioso e carola.
Escrevo esta pequena memória porque recentemente recebi da querida Dora Incontri seu mais novo livro, “A construção do Reino: o pensamento social de J. Herculano Pires” (Bragança Paulista: Editora Comenius, 2023). Trata-se de um ensaio sobre a concepção herculanista de Reino de Deus e como ele a articula com o pensamento de Allan Kardec e certa tradição socialista (com uma pegada anarquista ou “autonomista”).
A ida a um posto médico a fim de marcar vacinação domiciliar para uma tia idosa com dificuldade de locomoção acabou chamando minha atenção para outro fato. Na mesma sala em que eu estava, uma mulher de 54 anos media o índice de glicose no sangue, que resultou alto. As enfermeiras, então, resolveram encaminhá-la ao médico. Antes, porém, perguntaram o que havia acontecido, já que as taxas dela, paciente do local, costumavam estar normais. Ela explicou que havia ficado tensa com um problema de saúde que a mãe, com mais de 70 anos, tivera. Isso, segundo ela, poderia ter influenciado no aumento do índice glicêmico. E relatou também que costumava ficar muitas horas sem comer devido ao trabalho, o que estava em desacordo com o prescrito pela nutricionista e endossado pela médica. Ante a advertência carinhosa das enfermeiras, a paciente arrematou: – Trabalho como costureira numa confecção. Irei almoçar assim que sair daqui. Só que, no meu trabalho, durante o expediente, ninguém pode parar para comer. Apenas beber água.
Chegar do lado de lá e ver que a vida que foi dura e poderia ter sido melhor não é uma surpresa, de fato, para os espíritos que quando andavam encarnados batalhavam pela sobrevivência. Quando estavam por aqui, os espíritos que tem se comunicado conosco já sabiam que tudo era injusto e desigual para aqueles que não nasceram donos de propriedade ou com a cor da pele certa, ou no lugar certo, ou com qualquer outra falta de alguma coisa que pode ser usada como subterfúgio para garantir a subalternidade de muitos.
Em 2010 estreou o filme – As Cartas Psicografadas por Chico Xavier – que relatava histórias de pais e mães que procuravam Chico em busca de cartas de seus filhos mortos. Parte essencial da história de Francisco Cândido Xavier como médium espírita, as cartas solidificaram ideias a respeito do que é e para que serve o espiritismo, além de estabelecer um modelo para o exercício da mediunidade.
SLAM – onomatopeia da língua inglesa que representa uma batida forte, também usada para designar batalhas de poesia que combinam elementos de performance, escrita autoral, competição e participação do público.
Em fevereiro de 2022, iniciamos uma nova fase da reunião mediúnica de um grupo que existe há cerca de quinze anos e passou por muitas configurações. Esse texto fala sobre a interação mais recente desse coletivo, que vamos chamar de Grupo Mediúnico da Paulista, com um grupo espiritual de jovens, vítimas da violência das grandes cidades, que se estabeleceu, segundo o relato deles mesmos, nas imediações da Av. Paulista. Continue lendo →
Nesta semana, dia 18 de abril, foi publicada a segunda obra de Kardec, O Livro dos Espíritos numa edição antirracista, depois de no ano passado, ter sido lançado O Evangelho segundo o espiritismo, com esse mesmo subtítulo. Apresso-me a escrever esse artigo, para me contrapor às críticas raivosas (e até caluniosas) que estão sendo feitas a estas publicações, mesmo por espíritas que se afirmam progressistas.
Como todos sabem, sou da linhagem kardecista-herculanista e, portanto, jamais apoiaria qualquer coisa que viesse a ferir os princípios fundamentais do espiritismo – entretanto, são trechos mesmos das obras de Kardec que ferem esses princípios. E, como ele mesmo recomendou, é preciso usar o bisturi da crítica para limpar o espiritismo de ideias que pertenciam ao contexto histórico, europeu (leia-se eurocentrista), colonialista e racista que fazia parte da estrutura da sociedade em que ele viveu, atuou e foi influenciado por essas correntes. Continue lendo →
Quando estava no sexto período do curso de comunicação social, eu e toda a turma fomos apresentados a uma disciplina chamada ética. De aula em aula, fomos entendendo o seu significado – conjunto de valores morais de um grupo – e como era importante publicitários, jornalistas, relações públicas e radialistas atuarem para nunca desrespeitar os preceitos éticos tanto da profissão, quanto da sociedade. Deveríamos, por meio de nossa atuação na área, buscar melhores formas de vivermos e convivermos, fosse na esfera privada ou pública. Continue lendo →
O capítulo 3 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, terceira obra organizada por Allan Kardec, fala sobre as diferentes categorias de mundos habitados. Uma revelação e tanto para os que não acreditavam em vida em outros planetas. E isso no século 19! Imaginemos a polêmica. Continue lendo →
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com o frei carmelita Gilvander Moreira sobre sua atuação na Pastoral da Terra, sua relação pessoal com as lutas camponesas e a volta da Igreja à opção pelos pobres.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam sobre os principais conceitos da Pedagogia Espírita e a relação entre espiritualidade e educação. Link para se inscrever na nova turma do curso de Pós em Pedagogia Espírita – https://www.universidadelivrepampedia.com/2022-p%C3%B3s-ped-espirita
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com a educadora popular Moema Viezzer sobre o seu livro Abya Yala, que fala sobre o genocídio dos povos originários das Américas e a resistência da visão de mundo desses povos que se apresenta hoje como uma alternativa às crises […]
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com o professor Márcio de Jagum sobre o candomblé, oralidade, o sincretismo como uma característica humana universal, e a dessincretização como forma de estudar as tradições espirituais.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam sobre algumas ideias do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos a respeito do capitalismo, o colonialismo e o patriarcado.