A Jornada do Espírito – antes da Liberdade!

A trilogia The Unforgiven (Os Imperdoáveis) do Metallica é uma das mais icônicas da cultura pop nesse período de virada de século. A trilogia só foi completada em 2008, no disco Death Magnetic, os dois primeiros capítulos são da última década do século 20, de 1991 e 1997, respectivamente.

 

A trilogia percorre a vida de um personagem por meio de sua visão e sentimento do mundo.

O primeiro Unforgiven define os imperdoáveis como aqueles que subjugam a vida desse personagem e da massa em geral, o que gera revolta e ressentimento. Em Unforgiven II, o personagem está mais introspectivo e procurando se firmar a partir da ajuda de alguém, porém o ressentimento e a raiva o afastam desse alguém por desconfiança. Finalmente em Unforgiven III, o personagem está em contradição com os sentimentos antigos, cheio de arrependimentos, nomeando-se ele próprio como um imperdoável.

Para aqueles que buscam o entendimento da jornada do Espírito a partir do Espiritismo, a jornada da Trilogia soa familiar e coerente.

Se acreditamos que somos Espíritos eternos, em evolução, a caminho de entendermos Deus, acreditamos no potencial de sermos seres plenos em liberdade, entendendo a liberdade como a capacidade de agirmos de forma autônoma e consciente de nossos atos, o que nos levaria ao nosso fim.

A Jornada do Espírito ao longo do tempo e espaço acontece por passos na busca dessa autonomia, o que na prática é um despertar pleno de nossas capacidades morais e intelectuais. No caso do personagem da trilogia, o caminho ainda está longe de acabar, porém se nota que aos poucos ele amadurece ao percorrer sua vida e mudar sua visão de mundo, deslocando-a dos outros problemáticos para si mesmo com problemas. Ele deixa a posição de vítima para a de protagonista de sua vida, apto a saber que os outros têm poder de influência tanto quanto ele permita, e que é necessário confiar nos outros, pois nossa caminhada não é solitária.

A trilogia também é um paralelo interessante para aqueles que realizam encontros mediúnicos para desobsessão. O enredo dos imperdoáveis (os outros, você e eu) se faz presente. Os interlocutores do espírito em atendimento podem se ater a esse paralelo de situações para melhor entender o que aflige o espírito e melhor encaminhar a conversa até chegar o convite de um novo recomeço. Não raro, a conversa se alonga pelo três níveis da trilogia, até que o espírito esteja pronto. Porém, é importante que a síntese final seja no eu, e não no você e nos outros, para que aconteça um despojamento total do antigo em favor do novo, que se abre naquele momento.

Falando sobre encarnados, refletir sobre nossa vida e identificar nosso estágio de jornada é importante. A beleza do Espiritismo está em colocar em nossas mãos os resultados de nossa vida; a liberdade permitida e oferecida por Deus é uma conquista, não nos é dada de graça! As conquistas levam tempo, mas não devem desaminar. A trilogia The Unforgiven levou 17 anos para se completar, por si só uma analogia do tempo de aprendizado dos compositores nessa vida, que também, como nós, chegarão onde todos nós devemos chegar.

Alexandre Mota

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Desconstruindo e reconstruindo santos, heróis, líderes…

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Ultimamente tem vindo à público uma série de desconstruções de grandes  personalidades, lançando sombras sobre pessoas respeitáveis e veneradas universalmente por multidões. Fala-se que Gandhi tinha uma homossexualidade mal resolvida e que oprimia a mulher, que Madre Teresa de Calcutá era sádica e não dava remédios e analgésicos para seus doentes e moribundos, que Martin Luther King era mulherengo e traiu Coretta, a esposa, que Viktor Frankl foi colaboracionista no nazismo, que Kardec era racista – entre outras tantas acusações a várias outras personalidades. Continuar lendo

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Famintos de participação – da submissão à autoridade ao trabalho em rede

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Reclamamos de ter que participar, pois não queremos, naturalmente, abraçar mais responsabilidades, ou ainda, por puro oportunismo, apostando que outros farão o que nos cabe. Também não gostamos da ausência de uma cultura de participação, principalmente quando nos deixam “de fora” dos processos decisórios. Diante das coisas vis, queremos voz e vez! Mas, vai ver na hora “H”, quem realmente vem para a luta. Esses são alguns dos dilemas da participação… Continuar lendo

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Por que o Espiritismo não está na ciência mainstream?

Para responder plenamente a esta questão, precisaríamos de muito mais de que um texto de blog. Fiz isso em parte na minha tese de doutorado, na USP, sobre Pedagogia Espírita (depois publicada como Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes), mas como nem todos leram esse trabalho e como recentemente esse debate veio à tona por causa de um vídeo de três minutos de Pondé, onde ele faz uma rápida, superficial e descolada apreciação do espiritismo, resolvi escrever algo a respeito. Continuar lendo

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O Mensageiro (The Vessel)

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O quão áridos e enigmáticos podem ser a vida e o coração humano? O quão difícil pode ser a convivência e como pequenos atos podem ser tão marcantes? Continuar lendo

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Evolução e Reencarnação: O Espírito através dos tempos.

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O filósofo Friedrich Nietzsche argumentava que se a presença humana e sua cultura fossem varridas da Terra, não fariam falta. De certo modo, a afirmação está correta, mesmo que se considere o primeiro exemplar dos hominídeos, o Sahelanthropus Tchadenses, que viveu entre seis e sete milhões de anos atrás, até o presente momento, o tempo de evolução humana é ridículo. Se pegarmos a era do início das grandes civilizações antigas até agora, que representa o curtíssimo período de seis mil anos, a defesa de nossa significância fica mais difícil. Continuar lendo

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Kardec, 213 anos depois…

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Kardec permanece o grande desconhecido, como dizia Herculano Pires, pois sua proposta foi tão original, que pouca gente o entendeu até hoje. Nem adversários, nem adeptos, compreendem o que ele fez e propôs e tão pouco percebem a grandeza moral que mostrou em toda a sua vida. Continuar lendo

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