
No meu primeiro livro – “Inquietações de um espírita” – há um capítulo intitulado ‘Dando a César o que é de César’. Nele, abordo a questão do recolhimento de impostos. Acreditava que, por já ter tocado nesse assunto, não iria mais falar a respeito, pois tudo já haveria sido dito por mim. Ledo engano. Sinto-me compelido a revisitar o tema devido a fatos que ocuparam o centro do debate em maio de 2026.
Quando abordei a questão pela primeira vez, comecei recordando a passagem do Novo Testamento em que Jesus é confrontado por fariseus (judeus que cultivavam mais a aparência do que as virtudes) que ansiavam por pegá-lo em contradição. Os judeus viviam sob o jugo romano e eram obrigados a pagar impostos a Roma. Situação constrangedora e revoltante para qualquer povo em situação análoga. Aproveitando-se do fato, mostraram a Jesus uma moeda com a imagem de César e questionaram se era lícito pagar imposto ao Império Romano. Jesus, então, perguntou de quem era a imagem e a inscrição constantes na moeda. “De César”, responderam. O Mestre arrematou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Admirados com a resposta, os fariseus se retiraram. Esse episódio aparece nos Evangelhos de Marcos (12:13-17), Mateus (22:15-22) e Lucas (20:20-26).
Em “O Evangelho segundo o espiritismo” (capítulo 11, itens 6 e 7), Allan Kardec, ao comentar essa passagem, chama atenção para a atualidade do ensinamento nela contido. Afinal, diz ele, trata-se de uma verdadeira lição de justiça que Jesus dá ao mostrar que devemos restituir a cada pessoa aquilo que lhe é devido. E ressalta: “ele condena todo prejuízo material e moral acarretado a outrem, toda violação dos seus interesses; prescreve o respeito dos direitos de cada um, como cada um deseja que se respeitem os seus; estende-se um cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, assim como para com os indivíduos”.
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