
Recentemente, li o livro “Além da Fé Raciocinada: uma análise crítica da obra de Kardec”, do pesquisador espírita Carlos Seth Bastos. Antes de tudo, é evidente o profundo conhecimento do autor tanto sobre os livros – e manuscritos – de Kardec, quanto sobre os romances espíritas brasileiros do século passado. Por isso, o livro está recheado de citações relevantes para a compreensão do Espiritismo do passado e de como chegamos à situação presente.
Seth Bastos, nesse contexto, busca refletir sobre as várias questões em aberto que o Espiritismo não foi (ainda) capaz de responder de modo acurado. Considerando sua forma e conteúdo, é perceptível que o livro foi escrito por um engenheiro. Confesso que em todas as vezes em que me deparei com as ditas “condições de contorno”, não pude deixar de lembrar das aulas de Cálculo da faculdade. Para o engenheiro Seth Bastos, o Espiritismo possui três “condições de contorno” – isto é, pressupostos básicos de um domínio, necessários para se alcançar a solução de um problema: Existência de Deus (I), existência do princípio espiritual (II) e existência do princípio material (III). Portanto, “se não se crer em Deus, por definição, não se é espírita” (p.91).
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