
Uma das partes mais interessantes da língua portuguesa é aquela destinada às figuras de linguagem. Entre elas, a metáfora, que consiste numa comparação implícita, muitas vezes apelando ao sentido figurado. Como exemplo, cito a expressão ‘coração de pedra’. Quando digo que alguém tem essa característica, refiro-me ao fato de a falta de compaixão ser tão forte a ponto de parecer que essa pessoa tem uma pedra no lugar do coração. A metáfora pode ser também utilizada em poesia, música ou literatura para tornar o texto mais elegante ou expressivo. É o caso do livro “Iracema”, em que o autor, José de Alencar, se refere à personagem-título como “a virgem dos lábios de mel”.
Fiz essa introdução para comentar um fato polêmico, bem-humorado e revelador que tomou conta das redes sociais no carnaval de 2026. Refiro-me ao desfile da escola de samba fluminense Acadêmicos de Niterói, que levou para a Av. Marquês de Sapucaí a vida do presidente da República Luís Inácio Lula da Silva. Uma ala em particular chamou atenção e causou celeuma: pessoas fantasiadas de latas de ervilha. No rótulo, uma família branca, heteronormativa e acompanhada da frase ‘família em conserva’.
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