Carta a Kardec!

Kardec 2
Querido mestre!
217 anos de teu nascimento e o quanto a face do mundo se transformou! Nesse lapso tempo, o planeta teve mais mudanças do que os últimos 2 mil anos. No rio da história, que se mostrou tão violento e turvo, lançaste algumas ideias transformadoras. Elas quase se perderam diante de tantas turbulências por que passamos. Abriste a porta da mediunidade de forma racional e investigativa, ética e desmistificadora. Entregaste-nos algumas chaves importantes para lidar com o mundo espiritual e sonhaste com uma filosofia moral que pudesse ajudar a transformar a terra.
Propunhas métodos científicos, dentro das possibilidades restritas do teu momento histórico e criaste novos caminhos de espiritualidade, sem hierarquia, sem sacerdócio, sem dogmas, sem instituição – uma espiritualidade livre, crítica, sem amarras e que se ancorasse em pesquisa e racionalidade.
Fizeste um esforço hercúleo, um trabalho exaustivo, em poucos anos, gastando tua saúde, enfrentando aluviões de críticas e traições, sempre em meio a extrema dificuldade financeira.
E eras “apenas” um professor, de classe média, bem média, sempre às voltas com finanças precárias, sempre idealista pela educação do povo. Discípulo honrado do grande mestre Pestalozzi.
Hasteaste bem alta a ideia da reencarnação, para que ela nos restituísse a gestão de nós mesmos, num processo de autoeducação, pelo qual somos os responsáveis na passagem dos séculos, nas múltiplas vidas.
Tudo em tuas obras nos oferece equilíbrio, liberdade, caminhos novos, frescura de espírito…
Mas é claro que eras um ser humano, tiveste teus limites, pertencias a uma época. Qualquer homem ou mulher, em qualquer século da história, tem suas raízes em seu tempo e não pode ser julgado pelo futuro, sob a perspectiva dos avanços que o tempo traz. Deve antes ser reconhecido pelo que lhe foi dado vislumbrar desse futuro, e em que se adiantou em seu tempo.
Dói-me, mestre, que muitos te abandonam hoje, depois de terem se saciado de tuas sábias orientações, envergonhados de se proclamarem teus discípulos. Para muitos, não passas de tacanho e limitado professor primário que teve pretensões positivistas em relação a uma pseudociência ou um autoproclamado missionário com ilusões de reforma do cristianismo.
E ainda por acréscimo, justamente o país que mais te conhece, que mais te aclimatou – o Brasil – é também o que mais te desfigura e te trai.
Quero aqui apenas te agradecer e proclamar, como tenho sempre feito, a minha lealdade ao teu projeto, que aliás foi inspirado pelo próprio Cristo. Para isso, não é preciso que eu abandone meu espírito crítico, minha capacidade de análise histórica – coisas aliás que desenvolvi justamente em contato com a leitura de tuas obras. Tu mesmo nos ofereces os instrumentos e nos pedes para fazermos uma leitura aberta e não dogmática de teus escritos.
Sei que continuas inspirando aqueles que sinceramente se identificam com teus ideais superiores e se comprometem a continuar tua semeadura! Sei que me inspiras também e sinto-me conectada ao teu coração amoroso, desconhecido pelos que te supõem erroneamente dono de uma austeridade fria. Distribuíste esse teu coração para centenas de alunos, milhares de leitores, inúmeros espíritos e hoje o vemos impresso nessas cartas tuas que estão vindo vagarosamente a público!
Obrigada pelo teu nascimento, mestre! Obrigada pela tua vida e tua missão bem cumprida! E inspira-nos ainda com teu bom senso, com tua profunda espiritualidade e com tua retidão!
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A comida é revolucionária e regeneradora

pao e peixe

Creio que muitas pessoas, ao se depararem com a palavra ‘revolução’, repelem-na por imediatamente pensarem que fazer uma revolução seria sinônimo de pegar em armas, depredar o patrimônio público, quebrar vidraças de agências bancárias, saquear supermercados, tomar o poder à força etc.

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Uma breve história da ABPE! Hoje, 17 anos!

ABPE 17

No dia 28 de agosto de 2004, na Universidade Santa Cecília, em Santos, 40 pessoas de diversas áreas profissionais (Educação, Medicina, Direito, Arquitetura, Odontologia, Engenharia, Turismo, Artes plásticas…) entre homens e mulheres, estudantes e senhoras (donas de casa, como se dizia numa época pré-feminismo mais atualizado), assinaram a Ata de Fundação da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita. Essas 40 pessoas eram de Santos, São Paulo, Bragança Paulista e Jundiaí. Continuar lendo

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Cestas básicas, política e promoção social

rs=w_1280,h_768,i_true,cg_true,ft_coverContinuando a escrever sobre as diversas e graves questões que envolvem a alimentação e a fome em nosso país, retorno à entrevista que o professor Thiago Lima, coordenador do grupo de pesquisa sobre fome e relações sociais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), concedeu ao Coletivo Espíritas à Esquerda. Continuar lendo

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O necessário, o supérfluo e o desperdício

DesperdicioComida

Na edição 2019 do programa de competição culinária Masterchef Brasil, a chef Paola Carosella, uma das juradas, ao passar pela bancada de um participante, observou que ele havia desperdiçado grande quantidade de alimento para produzir o prato solicitado. Havia, portanto, muita carne, legumes etc. que o competidor simplesmente jogara fora para compor um prato com uma quantidade bem menor dos ingredientes. Aborrecida, Paola passou uma descompostura no rapaz. Segundo ela, era um acinte ele ter desperdiçado tanta comida fresca e de boa qualidade enquanto muitos passam necessidade. Mesmo porque, para elaborar um prato de restaurante, um chef que se preza jamais inutilizaria o tanto de comida que ele descartou. Paola, então, com a anuência dos outros dois chefs jurados, disse que, da próxima vez que ele agisse daquela forma, seria sumariamente desclassificado. Afinal, o alimento merece respeito! Continuar lendo

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Empatia e insegurança alimentar

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Era um dia 7 de janeiro, bem me recordo. Aproveitei que estava de férias do trabalho para ir à Cidade Maravilhosa visitar algumas agências e mostrar meu portfólio. Estava em busca de uma nova colocação na área de publicidade, colocação que eu conseguiria tempos depois (eu ainda não cursava jornalismo). Eu havia marcado visita em quatro agências, todas na Zona Sul carioca. Acordei cedo, tomei café da manhã e embarquei no ônibus rumo ao Rio de Janeiro. Continuar lendo

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Fome, sistema econômico e exclusão

O filósofo, professor e escritor Mário Sérgio Cortella, em palestra gravada em vídeo no ano de 2019, narra um episódio ocorrido 30 anos antes entre ele, alguns colegas e dois caciques da tribo xavante, que estavam visitando a cidade de São Paulo pela primeira vez. O primeiro local da visita era o Mercado Municipal, onde os clientes e visitantes encontram uma variada gama de frutas, verduras, legumes, importados, massas, peixes, aves, frutos do mar, doces variados… Uma abundância de comida num prédio histórico de 12.600m² que também abriga um espaço gastronômico no qual se pode provar variadas iguarias. O objetivo de Cortella e equipe era mostrar aos dois índios algo que eles nunca haviam visto: comida acumulada. Afinal, índios não estocam comida. Eles plantam, colhem, caçam e pescam.

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Nota dos Espíritas Progressistas ante a crise institucional brasileira

Vidas Perdidas

foto Gastão Cassel – EàE-SC

A sociedade brasileira vive um momento de crise aguda, uma crise que afeta gravemente a saúde e o emprego do seu povo, além do meio ambiente onde vive. A fome se alastra e a violência ameaça todos e, em especial, os mais vulneráveis. Esse seria, pois, o momento em que os poderes instituídos pela Constituição Federal de 1988 deveriam unir esforços no sentido de superar tamanha crise social e econômica. Entretanto, o que se viu e ainda se vê nesse período de longa pandemia é o Poder Executivo federal caminhar no sentido oposto ao que é necessário e urgente, abdicando de seu papel de buscar soluções, para, ao invés, transgredir leis e ameaçar uma sociedade já tão fragilizada pelo momento tormentoso que passa e com o luto coletivo em que está mergulhada.

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O orgulho gay e o orgulho espírita

5977547O dia 28 de junho é celebrado como o Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+. Vou utilizar a expressão orgulho gay para facilitar a escrita, mas farei um adendo, ao final, com a definição da sigla. Continuar lendo

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Sobre fomes, apetites, desesperos e gulodices

Há alguns anos, dois amigos de movimento espírita se casaram. A cerimônia foi no sítio da família do noivo, em uma cidade distante cerca de 100km de Petrópolis (RJ), onde moro. Decidimos fretar um ônibus. Assim, todos os convidados da Cidade Imperial iriam juntos. E chegariam com mais segurança ao local, já que nem todos conhecem a cidade, e o sítio está situado na zona rural. A família da noiva é de Petrópolis; a do noivo, de outra cidade vizinha. E havia também convidados de outras cidades, inclusive da capital.  

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