A vida encarnada se vive na Terra e para a Terra.

poverty-reuters-embe_111516053802Não te esqueças da fome que devora 
Teus irmãos agonizando entre riquezas
Não te esqueças
Dos abutres guerreiros
Que dividem o tempo em guerra e paz para o banquete metálico dos lucros.

Ouve, ouve ao longe
Sacudindo continentes e oceanos,
O soluço do mundo
Ouve o coro
Não dos anjos celestes nimbados de luz
Mas dos anjos terrenos famintos e sujos
Fenecendo como flores na lama 
Ouve o clamor dos povos esgotados
Ouve o urro dos irmãos convertidos em chacais 
E atira-te
Atira-te
Atira-te
a construir sobre o sangue e as lágrimas 
certo
sereno
firme
seguro
confiante
como o ferreiro que conhece o poder do martelo
o ritmo da forja

José Herculano Pires (Cântico de Libertação, livro Argila)

 

Quem sabe responder quantos conflitos armados estão em andamento no mundo, desde guerras civis até conflitos entre países? Quantas pessoas foram retiradas de suas casas devido a esses conflitos, os chamados refugiados? Continuar lendo

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Coração, aparência e coerência religiosa: quando a prática se distancia da essência

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“E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.”

(Lucas, 22:46.)

Dos quatros Evangelhos considerados canônicos, o terceiro deles, assinado por Lucas é o único que traz um pouco mais sobre as figuras femininas que acompanhavam Jesus. Estudiosos consideram que somente o gentio teria dedicado espaço significativo a elas porque, diferente dos hebreus, não comungava com a ideia de que mulheres seriam inferiores aos homens, tampouco impuras, como prega a Torá (Antigo Testamento). Continuar lendo

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O ponto de vista da montanha: Kardec e Comenius

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Numa das suas páginas mais brilhantes, Kardec nos convida a olhar a vida do alto da montanha. Dependendo do ponto de vista em que nos colocamos, conseguimos ver as pequenezas desse mundo, sua efemeridade, sua desimportância. De fato, se estamos no alto e vemos a estrada lá embaixo, tudo parece pequeno e, mais, enxergamos onde a estrada vai dar, e vemos que as sinuosidades do caminho não impedem a chegada ao final da caminhada.

Pois bem, estamos num momento nacional e internacional em que nos sentimos muitas vezes extenuados, desesperançados, moral, física e espiritualmente sobrecarregados. Muito individualismo feroz, incentivado pelo modo de vida competitivo da sociedade de consumo nos causa inúmeras decepções pessoais. As relações fluidas são fonte de angústia e depressão para muitos.

O cenário político também nos ensombrece os horizontes. Pessoas conhecidas, amigas ou adversárias, familiares, confrades da mesma comunidade espiritual (em nosso caso, espíritas) manipuladas pela mídia e sem se darem conta, muitas vezes, de que estão usando discursos de ódio, apoiam potenciais ditadores ou líderes de evidente má fé, que defendem a violência e a violação dos direitos humanos fundamentais – esses mesmos que estão na Constituição brasileira e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Isso nos dói.

A vida cotidiana, a luta insana pela sobrevivência da maioria da população humana, da maioria do povo brasileiro, numa sociedade com um tremendo fosso social em que meia dúzia de pessoas detém a maior parte da riqueza e a maioria tem de viver em regime de quase escravidão (ou às vezes mesmo em escravidão explícita) tudo isso também nos esgota, nos murcha por dentro e provoca adoecimento psíquico e físico.

Como achar saída? Como transcender?

Só mesmo a visão da montanha a que se referia Kardec. Só mesmo sabendo que por pior que o momento se nos apresente, tudo passa nesse mundo.

Lembro-me sempre de uma frase de Gandhi a respeito. Quando ele se sentia desesperado, lembrava-se que todos os tiranos morreram, que todos os grandes Impérios caíram…

A questão é conseguirmos manter a mente nesse diapasão do além do tempo, do alto da montanha. Parece que uma multidão de pensamentos e angústias teimam em habitar nossa mente e não conseguimos tantas vezes apaziguá-la. Para isso, a meditação, a prece ou aquilo que eu e uma amiga minha chamamos de kit sublimação ­(livros, músicas, filmes que nos elevem…) são instrumentos que nos ajudam a subir na montanha e olhar de cima.

Hoje, como algumas vezes tive a felicidade em minha vida, senti a presença magnífica, elevadíssima do Mestre Comenius e ele me ditou a mensagem abaixo. Enquanto ele se manifesta, consigo captar um pouco do que é estar nesse permanente estado de olhar acima – no caso dele, muito mais do que no alto da montanha, a sensação é de um olhar cósmico. A terra e suas excentricidades, suas bizarrices, suas trágicas violências mesmo, parecem brincadeiras de crianças birrentas, parecem machucados passageiros que um beijinho de mãe pode curar. A eternidade está aí. A morte não existe. A dor é um átimo. E quando entramos nessa sintonia, tudo parece estar certo, nada fora do lugar, por mais que nossa visão do fundo do vale aumente de forma dramática os cenários sombrios em que estamos.

Em seu livro O Labirinto do Mundo e o Paraíso do Coração – obra prima de espiritualidade, escrita em pleno século XVII, Comenius já nos indicava que o peregrino desse mundo labiríntico só pode achar a paz dentro de si, onde se encontra com Deus. Mas ele não deve e não pode permanecer estático com essa sensação de conforto supremo. Tem que voltar ao mundo e agir nele, para mudá-lo, mas sem se deixar contagiar pelas sombras que nele reinam.

Um dia, a paz que tivermos acendido dentro de nós será a paz que veremos reinar sobre a Terra.

Aqui a mensagem de hoje do mestre Comenius. Espero que o leitor possa senti-lo e entrar nessa sintonia de infinito e de eternidade!

Aos corações cansados

A trilha está cheia de espinhos, mas é a trilha certa.

O caminho é cansativo, mas levará ao alvo.

O alvo é distante, mas a eternidade é nossa garantia.

As forças são limitadas para cada trabalhador do bem, mas a fé move montanhas.

A sensação de solidão às vezes nos acomete em algum recanto da estrada, mas há mais peregrinos que seguem conosco, visíveis e invisíveis.

A ideia de impotência nos assalta de vez em quando, mas o poder de Deus é infinito e dele participamos, só a escala de tempo é mais ampla do que o minuto terrestre.

O mundo vive mergulhado num turbilhão de sombras, mas há luzes acesas e cada um de nós pode ser uma lamparina ou um pequeno sol no caminho de nossos irmãos.

Não desanimeis! Perseverai!

Acalmai vossas mentes, porque é tudo tão passageiro no mundo e só o amor se estende além e só o Bem brilha para sempre!

Comenius

Médium: Dora Incontri – 25/11/2017

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A Jornada do Espírito – antes da Liberdade!

A trilogia The Unforgiven (Os Imperdoáveis) do Metallica é uma das mais icônicas da cultura pop nesse período de virada de século. A trilogia só foi completada em 2008, no disco Death Magnetic, os dois primeiros capítulos são da última década do século 20, de 1991 e 1997, respectivamente.

 

A trilogia percorre a vida de um personagem por meio de sua visão e sentimento do mundo.

O primeiro Unforgiven define os imperdoáveis como aqueles que subjugam a vida desse personagem e da massa em geral, o que gera revolta e ressentimento. Em Unforgiven II, o personagem está mais introspectivo e procurando se firmar a partir da ajuda de alguém, porém o ressentimento e a raiva o afastam desse alguém por desconfiança. Finalmente em Unforgiven III, o personagem está em contradição com os sentimentos antigos, cheio de arrependimentos, nomeando-se ele próprio como um imperdoável.

Para aqueles que buscam o entendimento da jornada do Espírito a partir do Espiritismo, a jornada da Trilogia soa familiar e coerente.

Se acreditamos que somos Espíritos eternos, em evolução, a caminho de entendermos Deus, acreditamos no potencial de sermos seres plenos em liberdade, entendendo a liberdade como a capacidade de agirmos de forma autônoma e consciente de nossos atos, o que nos levaria ao nosso fim.

A Jornada do Espírito ao longo do tempo e espaço acontece por passos na busca dessa autonomia, o que na prática é um despertar pleno de nossas capacidades morais e intelectuais. No caso do personagem da trilogia, o caminho ainda está longe de acabar, porém se nota que aos poucos ele amadurece ao percorrer sua vida e mudar sua visão de mundo, deslocando-a dos outros problemáticos para si mesmo com problemas. Ele deixa a posição de vítima para a de protagonista de sua vida, apto a saber que os outros têm poder de influência tanto quanto ele permita, e que é necessário confiar nos outros, pois nossa caminhada não é solitária.

A trilogia também é um paralelo interessante para aqueles que realizam encontros mediúnicos para desobsessão. O enredo dos imperdoáveis (os outros, você e eu) se faz presente. Os interlocutores do espírito em atendimento podem se ater a esse paralelo de situações para melhor entender o que aflige o espírito e melhor encaminhar a conversa até chegar o convite de um novo recomeço. Não raro, a conversa se alonga pelo três níveis da trilogia, até que o espírito esteja pronto. Porém, é importante que a síntese final seja no eu, e não no você e nos outros, para que aconteça um despojamento total do antigo em favor do novo, que se abre naquele momento.

Falando sobre encarnados, refletir sobre nossa vida e identificar nosso estágio de jornada é importante. A beleza do Espiritismo está em colocar em nossas mãos os resultados de nossa vida; a liberdade permitida e oferecida por Deus é uma conquista, não nos é dada de graça! As conquistas levam tempo, mas não devem desaminar. A trilogia The Unforgiven levou 17 anos para se completar, por si só uma analogia do tempo de aprendizado dos compositores nessa vida, que também, como nós, chegarão onde todos nós devemos chegar.

Alexandre Mota

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Desconstruindo e reconstruindo santos, heróis, líderes…

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Ultimamente tem vindo à público uma série de desconstruções de grandes  personalidades, lançando sombras sobre pessoas respeitáveis e veneradas universalmente por multidões. Fala-se que Gandhi tinha uma homossexualidade mal resolvida e que oprimia a mulher, que Madre Teresa de Calcutá era sádica e não dava remédios e analgésicos para seus doentes e moribundos, que Martin Luther King era mulherengo e traiu Coretta, a esposa, que Viktor Frankl foi colaboracionista no nazismo, que Kardec era racista – entre outras tantas acusações a várias outras personalidades. Continuar lendo

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Famintos de participação – da submissão à autoridade ao trabalho em rede

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Reclamamos de ter que participar, pois não queremos, naturalmente, abraçar mais responsabilidades, ou ainda, por puro oportunismo, apostando que outros farão o que nos cabe. Também não gostamos da ausência de uma cultura de participação, principalmente quando nos deixam “de fora” dos processos decisórios. Diante das coisas vis, queremos voz e vez! Mas, vai ver na hora “H”, quem realmente vem para a luta. Esses são alguns dos dilemas da participação… Continuar lendo

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Por que o Espiritismo não está na ciência mainstream?

Para responder plenamente a esta questão, precisaríamos de muito mais de que um texto de blog. Fiz isso em parte na minha tese de doutorado, na USP, sobre Pedagogia Espírita (depois publicada como Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes), mas como nem todos leram esse trabalho e como recentemente esse debate veio à tona por causa de um vídeo de três minutos de Pondé, onde ele faz uma rápida, superficial e descolada apreciação do espiritismo, resolvi escrever algo a respeito. Continuar lendo

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