As palavras são usadas para vários modos de comunicação humana. Boas ou más, que transmitem saúde, paz e esperança ou enfermidade, conflito e dúvidas, amor ou desamor.
O falso testemunho, nono de dez artigos de uma constituição, há mais de 30 séculos psicopictografada (na pedra) no Sinai, é a expressão da vontade divina de que o ser humano só use a palavra para transmitir a verdade, a utilidade e a bondade.
Como dirigente espírita, quero marcar uma posição sobre as aleivosias que são levantadas contra o Padre Júlio Renato Lancellotti, replicadas em miríades de circuitos midiáticos que invadem as consciências e os corações, quase que indefesos contra esse miasma moderno. Continue lendo →
Não posso me furtar a focar um tema eminentemente espírita no artigo dessa semana, porque estão por toda parte os debates, as críticas e os elogios ao novo filme Nosso Lar 2 – Os Mensageiros, além de um expressivo comparecimento do público nos primeiros dias de exibição. Trata-se de assunto complexo, que apresenta diversas camadas de apreciação – se não quisermos meramente falar do filme como um panfleto piegas de um espiritismo aferrado ao religiosismo adocicado, que aliás não era o proposto por Kardec, o fundador.
“Socorro, socorro. Meu Deus. Nos ajudem. Precisamos de vocês”.
O apelo acima ecoou (e talvez ainda ecoe) de forma dilacerante, em dezembro de 2023, pelas dependências da Penitenciária 1 da cidade de Presidente Venceslau (SP). Proferidos por detentos que cometeram faltas graves dentro da prisão ou que estejam ameaçados de morte por companheiros de detenção, os gritos de desespero vieram do setor conhecido como trem fantasma. Nele, os presos ficam em total isolamento e na escuridão por períodos mínimos de um mês, sem condições de higiene (dividem o exíguo espaço com ratos e baratas) e sem direito a banho de sol, o que, inclusive, vai contra o previsto na Lei de Execução Penal (LEP).
O economista, professor e escritor norte-americano Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, tem uma frase muito interessante no tocante à sociedade injusta e desigual que o capitalismo produziu e na qual estamos atualmente inseridos. Diz ele: “90% dos meninos nascidos em lares pobres morrem pobres, não importa o quão capazes sejam. Mais de 90% dos meninos nascidos em lares ricos morrem ricos, não importa o quão estúpidos sejam. Portanto, o mérito não é um valor.”
Nas semanas seguintes, durante as reuniões mediúnicas, seguimos com a leitura do livro do pastor Henrique Vieira – O Jesus Negro. Focamos no capítulo O Canto de Maria (Lucas 1:46-55)*, que fala da reação da futura mãe de Jesus ao saber o seu papel naquela história. Num trecho do capítulo o pastor diz o seguinte sobre:
Seguindo com nossas reuniões mediúnicas, acatamos um pedido dos espíritos. O grupo de jovens havia manifestado interesse em saber mais sobre Jesus. Segundo o comentário de alguns deles, a religião que eles conheciam era baseada na ideia de um Deus punitivo e vigilante. Para trazer uma nova perspectiva trouxemos para a reunião a leitura do livro do pastor Henrique Vieira – O Jesus Negro.
No texto, o pastor compreende o contexto histórico e social do tempo de Jesus como parte essencial de sua mensagem de fé. O Jesus da periferia, pobre, filho e irmão de pessoas invisíveis, perseguido e oprimido pelos poderosos, é o Jesus Negro. Mais do que isso, o exemplo de resistência desse Jesus diante das mazelas do mundo, é o verdadeiro sentido do amor.
No dia 12 de setembro a cantora Anitta ganhou o prêmio de Melhor Clip Latino na premiação da MTV Vídeo Music Awards 2023. Na mesma categoria concorriam Shakira (Colômbia) e Rosalía (Espanha), artistas cujos shows no Brasil vendem todos os ingressos em poucos minutos para um público de classe média que valoriza o trabalho delas. Já Anitta enfrenta muito preconceito deste mesmo público.
O Funk Carioca e suas derivações como funk pop, brega funk, o proibidão, o 150 BPM, ostentação, entre outras, já foi alvo de um projeto de lei no Senado que pretendia criminalizar essa manifestação cultural. Baseada em argumentos de uma moral religiosa que vê na expressão da sexualidade um pecado, e no crime uma escolha unicamente individual (e não um problema coletivo), a proposta de criminalização foi rejeitada por unanimidade. Ainda assim o preconceito social é bem forte.
Em janeiro de 2023, Sandra Senna, amiga de movimento espírita, lançou, em badalada livraria de Petrópolis (RJ), o primeiro livro; um romance não espírita. Foi um evento bem concorrido, com vários amigos querendo saudar a entrada de Sandra no universo da literatura.
Depois, que peguei meu exemplar autografado, fui bater um papo com alguns amigos espíritas presentes. Numa mesa próxima, havia vários exemplares do primeiro volume de “Escravidão”, magistral e premiada obra na qual o jornalista Laurentino Gomes esmiúça, com riqueza de detalhes, o que foram quase 400 anos de utilização de mão de obra escrava em terras brasileiras. Peguei um exemplar e disse para o grupo de amigos que o movimento espírita poderia muito bem estudar “Escravidão”, a fim de entendermos a intensidade da dor que essa chaga social causa à comunidade negra, por que ela reverbera em nosso dia a dia até hoje e como poderíamos contribuir para superar, à luz do conhecimento espírita, o modus operandi escravagista que ainda nos causa tanto dissabor e indignação. Ato contínuo, citei que, entre várias revelações, Laurentino narra que morriam diariamente, a bordo nos navios negreiros, por volta de 15 escravizados. Como os corpos eram jogados ao mar, isso mudou a rota dos tubarões no Oceano Atlântico. Eles passaram a acompanhar as embarcações, pois sabiam que haveria alimento. Selma, uma das pessoas com quem conversava, tremeu nas bases e discordou. Disse que não teria condições, pois ficaria impressionada.
No dia 24 de agosto, cerca de 5 mil pessoas ligadas a movimentos negros e de direitos humanos se manifestaram na Av. Paulista em São Paulo, pelo fim da violência policial e da violência de Estado. Manifestações simultâneas ocorreram em 20 capitais e quase 100 cidades. Outras atividades de conscientização e reivindicação estão programadas para mobilizar a opinião pública até o dia 20 de novembro, dia da consciência negra.
Na última semana, chamou a atenção de todos nós o discurso do presidente Lula na Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, em Paris, que contou com a presença de quase 100 chefes de Estado. Em um discurso improvisado, o presidente do Brasil abordou o problema da desindustrialização dos países da periferia do capitalismo, o enfraquecimento dos mecanismos de governança global, a falta de solução da questão palestina e criticou a hegemonia das negociações internacionais em dólar. Talvez o aspecto mais simples e contundente de seu discurso, entretanto, tenha sido a lembrança de que as conquistas dos primeiros governos petistas de combate à pobreza, à miséria e à fome foram perdidas, e os retrocessos no Brasil foram enormes desde o golpe parlamentar sofrido pela ex-presidente Dilma Roussef. Nesse sentido, Lula chamou a atenção para o problema da desigualdade, em todos os aspectos, que vem crescendo no mundo.
Para nós, educadores espíritas e progressistas, o tema do combate à pobreza e à miséria é o mais caro de todos. Temos há anos difundindo ideias para a formação de um movimento espírita mais crítico, menos alienado, mais politizado, mais centrado na ajuda ao próximo, menos neurótico, menos culpado e mais aberto à vida em toda a sua plenitude e complexidade… Mas quando a estrutura social abate os sonhos e possibilidades dos jovens, o espaço e o estímulo para todo o tipo de dissociação, fanatismo, perversão, cinismo, apatia e fuga da realidade se alarga.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com o frei carmelita Gilvander Moreira sobre sua atuação na Pastoral da Terra, sua relação pessoal com as lutas camponesas e a volta da Igreja à opção pelos pobres.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam sobre os principais conceitos da Pedagogia Espírita e a relação entre espiritualidade e educação. Link para se inscrever na nova turma do curso de Pós em Pedagogia Espírita – https://www.universidadelivrepampedia.com/2022-p%C3%B3s-ped-espirita
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com a educadora popular Moema Viezzer sobre o seu livro Abya Yala, que fala sobre o genocídio dos povos originários das Américas e a resistência da visão de mundo desses povos que se apresenta hoje como uma alternativa às crises […]
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com o professor Márcio de Jagum sobre o candomblé, oralidade, o sincretismo como uma característica humana universal, e a dessincretização como forma de estudar as tradições espirituais.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam sobre algumas ideias do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos a respeito do capitalismo, o colonialismo e o patriarcado.