
Corria o ano de 2020, época em que o mundo se via às voltas com a epidemia de Covid-19. No Brasil, além dos cuidados necessários ao tipo de situação, tivemos de lidar com um governo tosco, que espalhou fake news sobre a eficácia das vacinas, divulgou um medicamento inócuo no combate ao vírus e retardou o início da imunização vacinal da população, o que resultou em milhares de mortes além do tolerável. Manaus, que viu centenas de seus habitantes perecerem, que o diga. A capital do Amazonas, como todos devem se recordar, foi a que mais teve vítimas fatais da Covid-19.
À mesma época, o médium e expositor baiano Divaldo Pereira Franco, então com 93 anos, precisou passar por uma intervenção cirúrgica. Uma semana depois, já estava recuperado. Foi quando um conhecido repórter fotográfico do movimento espírita do RJ postou, em uma rede social, a foto do referido médium sentado à mesa de trabalho e com a seguinte legenda: “A foto do ano. INACREDITÁVEL, Divaldo trabalhando uma semana após a cirurgia. Agradecendo a Deus por ele estar se recuperando bem. Di, nós te AMAMOS!”
Incomodado com o que havia lido, enviei para o fotógrafo uma mensagem particular. Nela, argumentei que inacreditáveis, a meu ver, eram os então mais de 100 mil mortos pela pandemia, a injustiça social, o racismo, a homofobia e o fato de Divaldo e o movimento espírita dito oficial fazerem vista grossa para essas questões. Disse, ainda, que achava repugnante esse tipo de bajulação.
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