Podemos comemorar o fim do roustainguismo na FEB?

jbrNesse dia 10 de agosto, a Federação Espírita Brasileira retirou de seu estatuto a referência explícita a Roustaing. Muitos espíritas comemoraram, muitos acham que esse tema do roustainguismo é irrelevante e outros tantos nem sabem quem foi Roustaing.

Por isso, resolvi escrever um histórico resumido, didático, acompanhado de algumas reflexões.

Para quem não sabe, Jean Baptiste Roustaing era um advogado de Bordeaux, contemporâneo de Kardec, que se auto investiu de uma missão espiritual, de propor a parte religiosa do espiritismo, publicando quatro extensos volumes do evangelho, supostamente reescrito pelos evangelistas do Novo Testamento. A médium era uma só, o filtro era só de Roustaing e de certa maneira poderia tornar dispensável o Evangelho Segundo o Espiritismo de Kardec. Tratava-se de um texto indigesto, excessivamente rebuscado, obscuro – denotando segundo o Livro dos Médiuns, a escrita de espíritos mistificadores –  e apontava diversos retrocessos em relação à filosofia racional, evolucionista, clara e objetiva, como foi proposta por Kardec.

Uma das teses mais importantes desta obra era a ideia de que Jesus não havia reencarnado em carne e osso e teria sido um agênere, o que faria dele um impostor, pois um corpo fluídico não sofre, não morre e toda a vida de Jesus teria sido uma fraude. Mas a tese agradava os remanescentes do catolicismo tradicional porque preservava a ideia da virgindade de Maria, que teria tido uma gravidez psicológica. Noutra diferença gritante com o espiritismo de Kardec, que é evolucionista e pedagógico, os Quatro Evangelhos de Roustaing apresentam ideias de queda e punição.

O autor enviou a obra para Kardec e este fez breves e prudentes comentários na Revista Espírita, evitando uma adesão ou uma rejeição imediata. Entretanto, em sua última obra A Gênese e os Milagres Segundo o Espiritismo, Kardec desmonta a tese do corpo fluídico de Jesus, embora sem fazer alusão ao nome de Roustaing.

Essa é a primeira parte da história. Entre a última edição (quarta) da Gênese, publicada pessoalmente por Kardec, e a quinta edição que veio à luz 3 anos depois da morte do autor, houve mudanças, algumas das quais atenuavam, mas não afastavam as críticas ao corpo fluídico de Jesus.

Recentemente, pesquisas históricas fartamente documentadas, sobretudo publicadas no livro O Legado de Kardec, de Simone Privato, demonstram que a Gênese da quinta edição foi propositadamente adulterada depois da morte do autor e que o roustainguismo tomou de assalto o movimento espírita francês. O grande vilão da história, e infelizmente não restam dúvidas a respeito, foi Pierre Gaetan Leymarie, que por motivos financeiros acabou loteando o legado de Kardec entre facções diversas. Um financiador milionário que apoiava Leymarie era o herdeiro do roustainguismo francês. A resistência a esses desvios ficou por conta de Amélie Boudet, Leon Denis, Gabriel Delanne, entre outros.

Em que momento, o roustainguismo encontra guarida no nascente movimento espírita brasileiro ainda é algo a ser rastreado com maior precisão. Mas é fato que o próprio Bezerra de Menezes ficou seduzido por esta mistificação. Não sabemos em que altura ele se converteu a essa corrente pois, relembrando os artigos que escrevia no jornal O País, como irmão Max, ele dava notas de ser uma pessoa racional e coerente com Kardec.

O caso, porém, é que o roustainguismo se enquistou na FEB como um tumor, provocando até hoje oposições dos que se consideram fieis a Kardec.

No famoso e questionável livro Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho, psicografado por um Chico jovem e tutelado pela FEB e por um Humberto de Campos espírito, recém desencarnado – cujo envolvimento com o espiritismo e com questões espirituais tinha sido nulo quando encarnado – o final é uma ode à hegemonia espiritual do Brasil no mundo, centralizada na FEB. E mais, Kardec e Roustaing são mencionados como os grandes apóstolos do espiritismo, lado a lado. E, diga-se de passagem, este livro também consta no estatuto da FEB como fonte de revelação inquestionável, que coloca a instituição como detentora central e missionária da herança espírita no mundo. E este item, relativo ao Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho, não foi retirado do estatuto da FEB, apesar das numerosas críticas que o movimento espírita tem feito ao caráter ufanista, totalitário e místico da obra.

Aí levantam-se questões que muitos se fazem. Para que combater o roustainguismo, para que debater algo tão distante do movimento espírita, onde a maioria nunca ouviu falar de Roustaing? Não existe a liberdade de cada um de acreditar no que quiser? Seria o debate em torno do roustainguismo um purismo de kardecistas fanáticos? É evidente que cada um pode aceitar a ideia que quiser. Mas o problema é quando uma instituição se diz kardecista, mas na verdade é roustainguista. E o problema ainda é maior quando essa instituição se arroga o status de representante oficial do espiritismo, negando a pluralidade de visões espíritas fora de sua tutela.

A resposta é que embora o roustainguismo não seja tão explícito e visível aos olhos da maioria, ele influenciou profundamente a mentalidade espírita brasileira ou, pelo menos, veio bem a calhar com o nosso conservadorismo católico tradicional. A primeira má influência está na aceitação acrítica de textos mediúnicos prolixos e místicos até hoje pelo movimento, com o apoio ou não da FEB, já que a própria obra de Roustaing se autoproclama pomposamente como “revelação da revelação” e não passou por nenhuma avaliação crítica e nem pelo critério de Kardec da universalidade do ensino dos espíritos. Este critério hoje pode não ser mais aplicável pela presença das redes sociais e pela impossibilidade de que diferentes médiuns não tenham se influenciado mutuamente. Mas na época de Kardec esse método se revelou eficaz em seus propósitos. No Brasil, desenvolveu-se a cultura protegida pela FEB de médiuns eleitos e infalíveis, cuja obra jamais passa por uma avaliação crítica e que passam a pontificar em nome do espiritismo.

Outra influência negativa e invisível do roustainguismo é um discurso excessivamente religioso, muito punitivo e pouco afeito às questões sociais. Ao contrário de Kardec e dos espíritos que com ele trabalhavam, que discutiam questões como igualdade de gênero, fome e pobreza, organizações sociais deficitárias e injustas, liberdade de pensamento e expressão, tolerância religiosa, entre outros temas que aparecem majoritariamente no Livro dos Espíritos,o movimento espírita tutelado pela FEB jamais se pronuncia sobre qualquer tema relativo às questões palpitantes e urgentes da sociedade brasileira. Quando se pronuncia é apenas para insistente e simploriamente criminalizar as mulheres no aborto ou se manifestar de forma implícita ou explícita a favor de posicionamentos nitidamente conservadores.

Além disso, o grande mote da FEB que é a sua autoproclamada missão de unificar o movimento espírita, é sempre aplicado de maneira hegemônica, sem diálogo com o contraditório. O Pacto Áureo, na década de 40, que teria sido supostamente um marco na unificação do espiritismo brasileiro, nada mais foi do que uma estratégia de submissão de todas as federativas à liderança da FEB. O movimento febiano não se senta para dialogar por exemplo com a CEPA (Confederação Espírita Panamericana) ou com a ABPE (Associação Brasileira de Pedagogia Espírita) apenas para citar duas instituições fortemente kardecistas. A estratégia do não diálogo é o boicote silencioso daqueles que pensam diferente.

Por tudo isso, podemos comemorar apenas timidamente a exclusão do nome de Roustaing do estatuto da FEB. Demonstra já uma pequena sensibilidade às críticas dos kardecistas. Vale dizer que este processo de retirada do nome de Roustaing começou com os dois únicos não roustainguistas e paulistas que dirigiram a FEB, Nestor Mazzoti e Cesar Perri. Quando eles tentaram mudar o estatuto neste sentido foram barrados por uma ação judicial pelo ultra roustainguista Luciano do Anjos. Ao que parece foi a resolução desta pendência jurídica que permitiu a retirada do nome de Roustaing do estatuto neste 10 de agosto de 2019. Mas para que a FEB seja uma instituição aberta ao diálogo, sensível às questões que afligem o mundo contemporâneo e que retome a linguagem racional, científica e crítica, que era a de Kardec, ainda há muitos passos a serem dados. Esperemos o futuro. Enquanto isso, há muitos espíritas progressistas trabalhando por uma visão kardecista mais livre e mais contemporânea.

 

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37 respostas para Podemos comemorar o fim do roustainguismo na FEB?

  1. Ester disse:

    A grande conquista será disvencilhar da hegemonia dos atuais dirigentes que são, a meu ver, um entrave para o progresso do movimento espírita, que ( tão óbvio ) deveria iniciar-se pelas ações da Federação Espírita Brasileira que (tenta) gestar o espiritismo no Brasil. Eu, particularmente , só consegui ficar quatro anos por lá!!

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  2. Edson disse:

    Argumentativos e fundamentados as colocações. Fica patente a limitação que FEB exerce no sentido de unificação do movimento, sem o respeito ao processo dialógico.

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  3. Marcio Motta disse:

    È uma lástima ainda existirem cabeças tão fechadas em nosso movimento espirita.

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  4. Com a exclusão do artigo que “impunha” o estudo da obra recebida por Roustaing, com o que concordamos, permita-me discordar, como sócio efetivo da FEB e seu colaborador há 39 anos, dos comentários pouco sensatos de Vossa Senhoria, Dr.ª Dora Incontri. Eis o que está no Estatuto tão criticado:
    “Art. 63 – O Conselho fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, de Francisco Cândido Xavier.”
    Nessa época, Chico já havia psicografado “Parnaso de Além-Túmulo”, que chamara a atenção de inúmeros críticos literários, além de outras obras notáveis. Estava, portanto, com 28 anos, e não era nenhum “jovem tutelado pela FEB”, que nunca foi “Rousteinguista”. Basta ler com isenção seu estatuto, mesmo antes da aprovação da retirada da obra de Rousteing para ser lida como complementar à de Kardec, para ver que tais ataques são movidos por um amor-próprio exacerbado, discriminatório e tendencioso.
    Dr. Jorge Leite de Oliveira

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  5. Onde está “Roustaiguista” ,”Rousteing”, leia-se “Roustainguista”, “Roustaing”.

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  6. O Espiritismo é uma Doutrina que atende à promessa de Jesus, em João, 14 e 16 e seu Codificador é Allan Kardec, que classifica os espíritas em sua obra “O Livro dos Médiuns”. Ali não existem denominações como “espíritas conservadores”, espíritas científicos ou “espíritas progressistas”. A FEB é uma Instituição centenária que merece nosso respeito, cujas deliberações passam pelo seu Conselho Federativo Nacional (CFN), diretores e sócios. Se possui algo a ser corrigido, isso será feito, não açodadamente, mas com critério por seus representantes. Se não atende a todos os interesses, é por que nem todos têm a base doutrinária para respaldo de suas ideias. Se comete falhas, elas são devidas à imperfeição de todos nós.
    Nem o Cristo deixou de ser criticado, entretanto, é nosso Mestre e Senhor, desde sempre.
    Há quem se arroga o título de “reformador” do estatuto febiano, dá entrevistas e que, na assembleia destinada a esse fim não abriu a boca… Sabe por quê? Simplesmente porque não precisou emitir sua opinião, haja vista que, dos 59 presentes, 58 foram a favor da mudança no estatuto. Um só voto foi contrário…
    Precisamos agir com “devotamento e abnegação” ao próximo, como propõe o Espírito da Verdade em sua quarta comunicação d’O Evangelho Segundo o Espiritismo e deixar de lado as querelas doutrinárias e ideológicas acadêmicas, que nada contribuem para o exercício da caridade, como é proposto na Codificação de Kardec.
    Nossa disputa pelo poder deve ater-se ao desejo de servir, como exemplificado por Jesus em toda a sua existência entre nós. O Espiritismo não se mistura com a pseudo-ciência materialista. Combate o materialismo, mas ama e esclarece, respeitosamente, o materialista sensato e humilde.
    Desse modo, fico com Jesus e com Kardec.
    Advogado, Especialista, Mestre e Dr. Jorge Leite de Oliveira (articulista espírita)

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  7. Obrigado por postar meus comentários. “Onde todos pensam igual, nada muda” já reproduzira Cíntia Schwants, profª drª de Teoria Literária da UnB, da qual tenho a honra de ser, atualmente,
    colega.
    Dr. Jorge Leite de Oliveira

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  8. Marco Antonio disse:

    Representa uma grande conquista. Conheco ao longo da minha vida muitos companheiros de ideaís Espírita, que nunca aceitaram. Sem falar nos grandes defensores de Kardec, como Herculano Pires e tantos outros, que tanto combateram essa deturpação doutrinaria.

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  9. Ana disse:

    Síntese perfeita! É uma história que precisa sim, ser divulgada, conhecida, analisada, debatida … Gratidão professora Dora!🌷

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  10. Nelson Souza Aguiar disse:

    Sem exclusão de realidades outras, falo a seguir por mim. Tive minha ‘formação’ como espírita na juventude da Feb, em sua sede. Década de 80. Durante toda minha passagem por lá jamais foi apresentado a mim e aos colegas de então pontos de vista de Roustaing. Nem as ideias polêmicas dele e nem de quem se tratava. Lembro-me que mais adiante, depois que eu ouvira falar do referido francês em conversas ‘clandestinas’ por meio de um amigo e não por meio da federação, um dia não resisti e perguntei a respeito dele em uma reunião. O que aconteceu? O assunto foi cortado no melhor ‘estilo tabu’ de tal maneira que eu me surpreendi com a reação do palestrante por desconhecer, à época, o tamanho dessa polêmica. E nunca mais tocou-se no assunto. E desde então até hoje eu nunca o tive como referência. Digo isso para afirmar que se a Feb foi ou ainda é uma usina onipresente de produção de roustainguistas como certas críticas fazem supor eu não estaria aqui a escrever essas sinceras linhas. De resto, mantenho e repito um ponto de vista que sempre tive sobre o assunto: o Brasil é um país cuja formação católica o atingiu em todas as camadas. Houve um tempo em que, para o estrangeiro passar pelos portos do país, saber rezar o ave-maria ao padre de plantão era talvez mais importante do que documentos. Quando a análise é socioantropologica e portanto nada espírita é fácil contatar a intensidade desse fenômeno. Quando Roustaing chegou, enfim, a influência católica já ocupava todos nossos poros e tecidos sociais. Por esse motivo penso que, se ele jamais tivesse existido, nosso rumos espíritas não seriam especialmente diferentes dos que tomamos.

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    • Karla Lima disse:

      A obra de Roustaing foi lida por Allan Kardec e o mesmo disse que era uma obra considerável e que iria ser estudada por espíritas sérios. Não consigo imaginar um trabalho kardecista e roustaingsta. Não! São obras que se complementam. Kardec não estava sozinho. Pode contar com uma plêiade de coadjuvantes Cada um veio com sua missão. Nao entendi Roustaing se nao estudar Kardec. Kardec a base. Faz todo sentido Jesus vir como espirito. Não teria o porquê ser diferente. A dor de Jesus foi moral , por conta da maldade humana. Jesus, capaz de ver Deus, de tão grandioso é, não podia renascer na carne humana. Desnecessário! Basta um pouquinho de humildade e compreenderemos que nada está de errado com a doutrina espírita.
      Muita paz! E a certeza que aqueles que tiraram a obra, amanha trabalharão para o seu retorno.

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      • Norma disse:

        Vc não lê Kardec,ele nunca concordou com Rousteng.

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      • filipexfaria disse:

        Ralmente muito complicado a denominação de kardecista.. O espiritismo vai muito mais além de Kardec, e como o próprio disse, ele a acompanharia. Infelizmente os espíritos não leram a obra completa de Kardec, e se a tivesse lido com o zelo necessário teriam lido que sobre as questões de imaterialidade do corpo de Jesus, com o nascimento Dele, a própria gênese explica a possibilidade da ação dos espíritos da ordem de Jesus de agir na matéria da maneira como a q ocorreu após a sua crucificação de aparecer num recinto fechado, ainda com as chagas na mão e pedir que seu discípulo as tocasse e bebesse junto deste. O mestre Humberto de Campos, nosso herói, cita ainda que muitas coisas ainda viriam a acrescentar na doutrina sem dogmas, e que Delanne, Flamarion e outros novos mestres viriam a corroborar cientificamente e alem disso – na fé. A quântica irá se unir ao espiritismo, pietro ubaldi já deu o estarte. “

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      • Maria disse:

        Compreendo que , o artigo não pretende criticar a doutrina espírita.

        Em seu bojo, a informação diz respeito ao comportamento histórico de dirigintes “engessados ” . É inadimissível em tempos de movimentos importantes rumo ao progresso, convivermos com a institucionalização hierárquica tratando dos assuntos que deveriam estar disponíveis de forma acessível.
        a TODOS E TODAS.

        A postura de hierarquia, muda completamente a ideologia da doutrina espírita como sendo o tríplice aspectos que não combina com criação de cargos, conselhos, idolatrias , estrelismo, rituais , etc .

        Por fim, não percebo , nos órgãos gestores ( federação, conselhos, etc) onde cabem os irmãos com pouca capacidade intelectual, que não seja “os assistidos “. Ora, a evolução espiritual não está relacionada a posição social-intectual, ou está? É simples colocar alguns irmãos em situação de subserviência como se fossem o “material didático” para a minha evolução. Para justificar esse equívoco, lembramos da parábola do mancebo.

        Estamos estagnados em relação as outras instituições que divulgam o cristianismo, por puro preconceito e egocentrismo, ouço de expositores e demais lideranças, absurdas e irrelevantes críticas a religiões ou filosofias que trabalharam e trabalham arduamente para divulgar o evangelho- ainda que por caminhos tortuosos – contudo, não há erro quando contextualizado.

        Saiamos de nossas posições privilegiadas de plena capacidade intelectual e trabalhemos para a universalização do AMOR . Na atualidade não cabe mais preconceito e aceitação de tamanha injustiça ou desigualdade no mundo- GRAÇAS A DEUS!!!

        Acordemos e brindemos a transição planetária!!!

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    • Nélson, parabéns por sua lúcida e honesta explicação. Também frequento a FEB há 39 anos, como disse antes. Colaboro com essa Instituição da mais alta importância para os rumos do Espiritismo no Brasil como monitor do estudo sistematizado, estudo aprofundado, exposição etc. e jamais ouvi referência à obra de Roustaing ali. É pois demonstração de desconhecimento e até má fé denominar a FEB de roustainguista.
      Sugiro-lhe e aos leitores deste blog a leitura do texto que acabei de postar no meu blog: http://www.jojorgeleite.blogspot.com, onde quem desejar opinar pode ficar à vontade para, em nome da fraternidade, do amor e do respeito a todos, trocarmos ideas sobre a verdadeira finalidade do Espiritismo no Brasil e no Mundo, e o papel relevante da FEB há quase século e meio. Grande abraço do jó.

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  11. Leandro Lugao disse:

    Excelente explicação aos espíritas!

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  12. Saulo de Meira Albach disse:

    Belo artigo!
    E atenção: o parágrafo segundo do artigo 1º do Estatuto alterado da FEB delega ao Conselho Diretor dizer quais são as obras subsidiárias da Kardequiana que fundamentam os objetivos e finalidades da entidade… Aguarde-se…

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  13. Arturo Gómez disse:

    Gostaria ser esclarecido sobre que significa “pseudo ciência materialista”. Obrigado

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    • A Ciência espírita nada tem a ver com a materialista, a não ser naquilo que, pela observação dos fenômenos espirituais esta esteja de acordo com aquela. Kardec já dizia isso. É a Ciência dos Espíritos. Por isso, chamei essa ciência, que confundem com a dos Espíritos de “pseudo ciência materialista”.

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      • Cláudio Antônio Ehrensperger disse:

        Afinal “doutor”, o que é ciência materialista?

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      • Primeiramente, não sou “doutor”, e sim Doutor em Literatura, além de advogado, Especialista em Língua Portuguesa e Mestre em Literatura. E não digo isso por exibicionismo, mas como demonstração de vivência acadêmica de décadas, onde muitas paranoias são empurradas goela abaixo dos discípulos, que precisam fingir que creem nelas, para não serem reprovados, ou creem ingenuamente em muitas baboseiras de mentes doentias. O que decorre de preguiça mental e imaturidade de alguns alunos ingênuos. Felizmente, não de todos…
        O brasileiro pouco lê, e o pouco que se lê é baseado nos raros homens e mulheres realmente estudiosos, cujas ideias nem sempre são aceitas por uns e por outros, conforme a linha de pesquisa seguida. Entretanto, as palavras milenares de Paulo de Tarso ainda são atuais: “Examinai tudo, retende o bem.
        Quando me refiro à ciência materialista, acompanho o pensamento de Kardec em suas obras. Leia mais os livros da codificação e a “Revista Espírita”, para entender que me refiro às teorias newtonianas e outros cientistas e alguns teóricos historiadores, qual Marx, sobre os fenômenos da matéria, que se opõem às afirmações dos Espíritos superiores, quando denomino “ciência materialista”.
        Refiro-me também aos teóricos encarnados que se baseiam exclusivamente nos fenômenos comprovados em laboratórios, é bem verdade, mas que, como tudo que é visto pelos instrumentos e sentidos limitados dos homens e mulheres cientistas, é sempre passível de modificação, em especial as teorias, que, atualmente, veem sendo desmentidas, diariamente, graças ao extraordinário avanço das comunicações eletrônicas.
        Já disponibilizei meu blog para quem desejar trocar ideias sem ofensas e visando construir um conhecimento sadio, mas cito-o novamente: http://www.jojorgeleite.blogspot.com.
        Sobre o que entendo por ciência materialista, o senhor pode, também, ler uma das minhas crônicas no blog citado.
        Deixo claro, porém, que não critico ou combato o materialista ou, melhor dizendo, ateu, a quem respeito, e, sim, o materialismo, que se opõe ao espiritualismo e, em especial, ao Espiritismo.

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      • Arturo Gómez disse:

        Obrigado. Trata – se, então, de ciência e não pseudo ciência. E ciência que não afirma que “não existe nada além do que vemos e tocamos todos os dicas ” mas que não afirma que sim exista. E minimalista e se ocupa de descrever e modelar o que está a seu alcance. Ainda que de fato, os próprios marxistas convidaram a Chico à URSS para experimentar em laboratório a fenomenologia espírita e Emmanuel se opôs. Por outro lado, somos livres, como muitos médicos estão fazendo dentro do movimento espírita, de pesquisar segundo o método científico resultados de tratamentos espirituais ou a fenomenologia que queiramos.

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      • Arturo Gómez disse:

        Quando falamos de “ciência” em geral, estamos falando em realidade de filosofia. Porque ciência, em particular, é a matemática, a física, a biologia, a astronomia, etc. E nenhuma delas se ocupa dos temas espirituais. Eu, como matemático, não tenho nada que afirmar sobre existência ou não de Deus, vida após a morte, etc. Também nada tem para fazer aí um físico. O que seja fisicamente observável dentro dos padrões experimentais, vai estar em seu campo de estudo, e o que não, não. Outro tema, que eu acho que é o que você se refere, é aquele cara que tem uma posição filosófica que fala o seguinte: “todo aquilo que não possa ser observável pelos métodos da física e da química é falso”.

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      • Arturo Gómez disse:

        O caráter científico do espiritismo reside em que os conhecimentos se organizam em uma estrutura hierarquicamente subordinada que responde à lógica e que deve ser coerente com a realidade. As diferenças com a física, por exemplo, estão em que não temos condições de medir todas as variáveis nem repetir todos os experimentos. Também temos dificuldades para falsear algumas afirmações.

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  14. Clóvis Portes disse:

    Muito bom… coerente…. objetivo, sem ferir ou agredir quem quer que seja.!!!

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  15. Murillo Altafine disse:

    Dora, se a verificação das comunicações pela universalidade do ensino do Espíritos é muito difícil se aplicar atualmente como dito no texto. Há outra forma de verificação? Que método devemos usar que mais condiz com a contemporaneidade?

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  16. Mario Baumgarten disse:

    Muito boas e oportunas todas as considerações! Mas pessoalmente não comemoro –nem mesmo timidamente- essa medida que considero de caráter populista e que nada indica ter a haver com uma mudança mais profunda da instituição. A corrupção da Doutrina de Kardec transformada numa religião dogmática foi muito profunda e isso não se desfaz através de uma simples medida tópica. Para efetivamente mudar, teria a instituição a coragem de tirar Chico, Emmanuel e André Luiz do pedestal dos Santos infalíveis e substituí-los por Kardec? Pessoalmente não creio. Talvez mais algumas decisões cosméticas ainda possam vir na sequência da inócua desfiliação de Roustaing, mas todas elas voltadas a estancar a sangria daqueles que lentamente começam a abandonar o navio febeano, que depois de 80 anos não consegue apresentar quaisquer sinais de crescimento, que continua apoiando obras adulteradas como a da Gênese 5ª edição e que parece não se envergonhar de vexames como o da profecia da data limite. Por outro lado, comemoro -e muito- a evolução lenta, segura e gradativa do verdadeiro Espiritismo kardecista, a “ciência e filosofia de consequências morais” recém (re-)descoberta e divulgada por muitas mentes brilhantes no espaço oferecido pela Internet, nas instituições e nos centros espíritas menores, todas eles felizmente livres de cabrestos religiosos e dogmáticos. Isso sim é que é uma grande felicidade e me faz verdadeiramente acreditar no Espiritismo! Abraços a todos os trabalhadores deste espaço virtual!

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    • Arturo Gómez disse:

      “tirar Chico, Emmanuel e André Luiz do pedestal dos Santos infalíveis” Gostaria você modificar a expressão. O espiritismo não tem santos nem acredita em infalibilidade. Porém, é verdade que algumas coisas poderiam estar sobre dimensionadas ou sobre estimadas. Se nos expressamos com rigor exatidão e precisão, temos a melhor chance de ser entendidos e incluso convencer a outros. Especialmente dentro do espiritismo, é uma pena que opiniões legítimas fiquem desqualificadas por formas irónicas. O que caracteriza o espiritismo, e especialmente a Kardec, é esse tipo de encare.

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      • Mario Baumgarten disse:

        A minha tese é simples amigo: Pau que nasce torto morre torto. Quando Leymarie deturpou o Espiritismo nascente, tiveram os defensores de Kardec que recriar uma nova organização, pois não havia condições de conciliação com a parte adulterada. A história, pelo menos até o momento, parece estar se repetindo no Brasil.

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    • Maria disse:

      Esse pensamento é liberador. Me alivia saber que não estou só. Senti incômodos quando saí do movimento “evangélico ” ao qual fui obrigada, pelos meus pais, a seguir cegamente, durante 40 anos. Após meus pais desencarnarem fui em busca de outra fonte , busquei uma doutrina cujo evangelho de Jesus fosse aplicado de forma libertador sem amarras, sem dogmas , rituais, cabestros , etc. Na FEB estudei 4 anos no ESDE , o que para mim, fez uma grande diferença ” naquele momento” . Após isso, abri minha mente e percebi o dogmatismo , conservadorismo, estrelismo , desfiles de egos , etc ( aqui neste post já se percebe dirigentes da FEB “dando carteirada” exibindo currículos) Ora , entendo que não é saudável se utilizar de títulos profissionais ou habilidades cognitivas para se colocar acima de tudo e de todos – há expositores intocáveis , buscando visibilidades, em detrimento do uso da sua habilidade ( mediunidade) para levar a todos e todas o alívio em compreender a vida após a morte, e sobretudo, da convivência com o mundo espiritual. A simplicidade, a humildade , devem ser o pilar na sustentação do bem viver em irmandade, em qualquer ambiente. Lembrando que o próprio Kardec mudou seu nome para separar as suas obra , e ainda , mesmo assim, não aceitou o termo “espírita Kardecista”.

      Na minha convivência percebi irmãos com grande potencial mediúnico sem espaço de atuação por não terem a retórica , ou a fundamentação exigida pelos conselhos da FEB. As críticas , o julgo, o olhar insensível , a hierarquia, e muito mais, precisam ser revistos , ou as casas espíritas , bem como as obras literárias, ” estão fadadas a serem lembradas , assim como na atualidade , são lembrados tantos outros movimentos cristãos que se mantém nas prateleiras como obras arcaicas ( teoria sem prática) .

      Espero que há simplicidade em perceber que a crítica pode “SEMPRE” ser uma pedra para a edificação.

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  17. Arturo Gómez disse:

    Tenhamos cuidado: o questionamento a inovação serão em qualquer agrupamento ou disciplina motores de avanço. Porém, estes devem ser fundamentados e confirmados devidamente. Porque se isto não se faz existe a tendência a extrapolações e até fantasias. Outro ponto, é que vigiemos nosso linguagem. Porque se podemos falar o mesmo sem cair na ordinária ganhamos muito em credibilidade.

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  18. Arturo Gómez disse:

    Para colocar em seu devido lugar aqueles que usam o espiritismo para proselitismo fascista não necessitamos um discurso revolucionário. Aliás, nem um discurso cristão. Com ter um discurso civilizado é suficiente. Eles, ainda que se proclamando espíritas e como tais, cristãos, não o tem. Ao ficar eles falando mentiras apologia à prepotência à irracionalidade tiram totalmente sua credibilidade. Não façamos nos o mesmo

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  19. Arturo Gómez disse:

    Tua visão é parecida com a minha, mas se você tirasse paixão e emoção de sua fala, ela ganharia em clareza e em credibilidade.

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  20. Jade F de Melo disse:

    Hoje compreendo que a tudo devo questionar, sobretudo o espiritismo!

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  21. Sueli de Paula Dias disse:

    Acho lamentável que a FEB não se manifeste com toda essa crise social e política, não só no Brasil, como no mundo todo. Sei de grupos católicos que estão discutindo a situação atual, realizando diálogos de construção de uma sociedade fraterna e etc, e a FEB a “ver navios” fazendo de conta que se trata de “realidade paralela” !
    A FEB é o retrato de quem a frequenta.

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  22. reginacscgmailcom disse:

    Maravilhosa análise!
    Infelizmente a doutrina espírita hoje é assolada por obras tendenciosas, de caráter ideológico conservador e anticristão. Por vezes tenho a impressão que bons médiuns, ao cair nas malhas da vaidade e arrogância, se enredam nas armadilhas das trevas e passam a difundir a intolerância, o elitismo e o preconceito. Estaremos vivendo, a exemplo das igrejas neopentecostais, o neoespiritismo, avesso aos princípios básicos do cristianismo?

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