Acolhimento mediúnico

2015-1E depois de muito tempo e inúmeros convites de Dora Incontri, cá estou, escrevendo para o Blog da ABPE. E, para essa minha estreia, nada melhor que falar de um tema que anda bem latente na minha vida: o desenvolvimento da minha mediunidade. Mas hoje não quero falar como tudo começou e nem das minhas primeiras experiências mediúnicas. Vou deixar essa história para um próximo post. O que quero compartilhar com vocês hoje é o quanto um ambiente acolhedor é fundamental para nos sentirmos seguros nesse processo que não é nada fácil. Por isso, vou chamar, carinhosamente, de acolhimento mediúnico.

Assim como eu, sei que há inúmeras pessoas em processo de desenvolvimento mediúnico. Algumas me perguntam como e, principalmente, onde podem trabalhar isso. A minha indicação é apenas uma: busque um lugar onde você tenha confiança nos médiuns e se sinta completamente acolhido. Nem sempre, o lugar que me acolhe mediunicamente é bom para o outro e vice e versa. Por isso é muito importante você ir a lugares e sentir como se sente. Parece redundante, mas não é. A questão é que quando falamos em mediunidade, precisamos respeitar muito mais as sensações que temos nos ambientes e com as pessoas, do que, necessariamente, o que achamos ou o que aprendemos que é o correto.

Vou dar um exemplo para ficar mais claro: quando a minha mediunidade deu os primeiros sinais eu frequentava um Centro Espírita há muitos anos – lugar que respeito e amo profundamente. Na época, eu não tinha ideia do que estava acontecendo comigo. Passei a ter sensações que não eram minhas, pensamentos que não eram meus. Cheguei até a imaginar que estava ficando louca. Foi então que minha mãe, que trabalhava na desobsessão desse mesmo Centro, levou o meu caso para os dirigentes dos trabalhos que ela frequentava. Por algum tempo, me colocaram para ficar na sustentação de energia, mas a cada começo de sessão mediúnica, eu apagava e voltava só no final dos trabalhos. Acontece que, para trabalhar a mediunidade nesse Centro (como em boa parte deles), eu precisava fazer um curso preparatório de sete anos e eu estava no começo do segundo. No fundo, eu já sabia que não aguentaria completar, pois a cada dia eu me sentia pior. E, por mais que as pessoas tentassem me ajudar (e olha que eu tive muitas pessoas iluminadas me ajudando nessa fase), existia uma burocracia que fazia com que eu não me sentisse à vontade para me desenvolver. Foi então que, depois de alguns acontecimentos, eu conheci o meu grupo atual, que é o grupo da ABPE.

Meu primeiro contato foi para um tratamento espiritual e não imaginava que ficaria lá depois disso. Mas quando cheguei nesse grupo, no momento mais difícil da minha vida, eu senti um acolhimento diferente. Sabe quando você recebe um abraço bem apertado, daqueles que parece que nada no mundo vai te atingir? Pois é, essa foi a sensação que tive. Depois do processo de tratamento, veio o convite para continuar, já que o grupo havia identificado que eu precisaria trabalhar toda aquela minha sensibilidade e eu estava fazendo o curso de Pedagogia Espírita. Para quem não sabe, o grupo da ABPE não é um local onde apenas fazemos os trabalhos mediúnicos. O nosso grupo tem muito estudo, muitas discussões críticas e muito, mas muito aprendizado. Nosso maior objetivo é usar o Amor como ferramenta de transformação pela Educação.

Lá se vão seis anos desde o primeiro contato com esse grupo, que é minha segunda família. Nesse tempo, estive distante algumas vezes, tive contato com outros lugares, mas ele é o único que me dá o acolhimento mediúnico que preciso. Não à toa que meu processo de desenvolvimento foi acontecendo ali, entre os médiuns que me ajudam e me inspiram. Fácil? Não, nem um pouco. Apesar de existir uma “glamourização” da mediunidade, ser médium é uma tarefa delicada. Não diria que é difícil, mas é bem disciplinadora – e, pelo menos, para mim, esse é o maior desafio dessa encarnação. Mas quando temos um lugar e pessoas que nos abraçam, a caminhada fica mais leve. E depois de tantos anos amadurecendo e evoluindo mediunicamente, há 15 dias tive a minha primeira experiência de mediunidade de incorporação (ou o nome mais técnico: psicofonia). Sei que poderia ter tido isso antes, mas questões pessoais me afastaram da minha espiritualidade por um tempo. Mas o que importa mesmo é que, depois de pouco mais de seis meses de volta ao grupo, minha mediunidade agradece todo o acolhimento! Aproveito e deixo registrada aqui minha eterna gratidão a todos que, de certa forma, me ajudaram nesse processo. E agora, mãos à obra que quero ter a chance de acolher muita gente ainda nessa minha caminhada mediúnica!

(Observação: como sei que tem muita gente que vai me perguntar como fazer parte do grupo, já #ficaadica: a ABPE tem um grupo especial para desenvolvimento de mediunidade, que acontece um sábado por mês. Ficou interessado? Só mandar um e-mail para: abpe@pedagogiaespirita.com.br)

 

Yara Simões é jornalista, ex-aluna da pós graduação em Pedagogia Espírita, membro do grupo de Mediunidade Pedagógica da ABPE.

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Uma resposta para Acolhimento mediúnico

  1. Roseli Marques Shigematsu disse:

    Querida Yara, desconhecia sua história e fiquei bastante surpresa, mas principalmente aliviada por você ter encontrado no seu caminho a oportunidade de desenvolver sua mediunidade e colocá-la a serviço do amor ao próximo em um espaço de respeito e carinho, um processo nada fácil.Um grande abraço com todo o meu carinho por você.Que esse grupo ao qual você se referiu possa acolher tantos outros irmãos na mesma situação, com o mesmo carinho, sempre.

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