Por Marcio Sales Saraiva
Celebrar a justiça é dever de quem defende a democracia, sobretudo em um país cuja história é marcada por golpes e impunidade. Desta vez, fez-se justiça sem qualquer tipo de anistia ou de pactuação oligárquica. Ainda assim, confesso minha simpatia pelo abolicionismo penal: não me dá prazer o encarceramento de ninguém. Na prática, a prisão massiva no Brasil revela-se ineficaz: nossas cadeias estão superlotadas (ocupação oficial acima de 130% em dezembro de 2024) e o sistema não cumpre funções educativas, ressocializadoras ou restaurativas satisfatórias, ou seja, ele não faz justiça.
E sejamos realistas: muitos desses líderes neofascistas nem sequer pisarão nos cárceres. É mais provável que cumpram prisão domiciliar ou sejam mantidos em repartições mais confortáveis, como a sede da Polícia Federal, em condições bem distintas daquelas reservadas ao povo pobre e negro que compõe a maioria da população carcerária. Justamente por isso, penso que poderíamos levantar este debate olhando para o futuro, pois não basta apenas assistir à impunidade seletiva das “prisões de ricos” e “prisões do povo”, tampouco se pode aceitar que o encarceramento seja a única resposta para todos os crimes. É preciso pensar em medidas alternativas que sejam reparadoras, educativas e verdadeiramente democráticas.
















