Um certo senso de propósito para a vida

Sprout watered from a watering can on nature background

O texto que vem abaixo é uma costura de três mensagens psicografadas por Dora Incontri que se encontram editadas no livro A Educação Segundo o Espiritismo e assinadas respectivamente por Um Educador, Comenius e Maria Montessori (pags. 230-235 – 4º Edição). O encadeamento dessa costura é ressaltar alguns pontos comuns que se encontram nelas, com destaque para o motivo da reencarnação, sobre a importância da educação, o amor como a ação necessária e, por fim, como síntese desse processo, o sentido de vida:

Avistai as margens do futuro! Lá está a terra prometida da paz e da esperança, que a humanidade sonha desde os mais antigos mitos… Lá está o mundo pacificado, sem as fronteiras do ódio e da ambição; lá está a ilha da liberdade, cercada pelo universo, tornado habitado pelas almas afins de outras galáxias; lá está a fraternidade erigida em traço comum da conduta de todos os homens e mulheres… (Comenius)

Olhar para o futuro é uma tendência natural do Espírito como individualidade e está de acordo com a ideia de evolução presente no Espiritismo, a qual deve levar cada um mais próximo a Deus. No momento em que estamos ligados à Terra, estamos nesse caminho evolutivo dentro do espaço e tempo específicos de um planeta, que também evolui e que sofre a ação dos encarnados, conforme as conquistas morais e físicas. Ou seja, em ciclos reencarnatórios que faz com que sejamos crianças, adultos e velhos em ciclos sucessivos de experiências.

Quando Jesus disse que o Reino dos Céus seria daqueles que se fizessem como meninos, estava deixando uma lição imortal à humanidade. Ele assim exaltava a virtude da simplicidade e do despojamento de si, que caracterizam a infância humana. Preconizava também o ensino da reencarnação – pois para ganharmos o Reino, quantas vezes temos de nos tornar novamente meninos e retornar à experiência terrestre, desenvolvendo novos padrões de comportamento? (Um Educador)

            A curva da vida na Terra tem na infância uma das mais importantes fases para definir o futuro do ser como Eu e o Eu com Outro.

            Quando uma alma vos chega às mãos, encerrada no corpo tenro de uma criança, não penseis que se trata de um ser amorfo, para se modelar segundo o figurino que trazeis em mente. A alma que vos chega é semente que volta ao solo da matéria, para geminar uma nova personalidade, mas guarda a reminiscência de todas as personalidades frondosas que já foi, de todos os jardins que já habitou… O Espírito humano em si mesmo é uma semente de divindade, cuja promessa de acabamento e realização se renova a cada revivescência no mundo. (Montessori)

O clima espiritual que deve fazê-lo crescer para além de si mesmo é o clima da liberdade e do amor. Só quando educamos com liberdade, amamos o ser em estado de gestação moral. Mas só quando amamos de fato é que essa liberdade será fonte segura de seu desenvolvimento para o bem. (Comenius)

            Se a reencarnação faz parte do processo evolutivo, as passagens pela Terra são, por lógica, processos educativos. A posição de educador se amplia para além da profissão de professor. A educação está na família, amigos, e qualquer outro lugar em que a vida humana aconteça.

É preciso, pois para ser educador, com a dignidade que esse título merece, jamais perder o encantamento de olhar o outro – o outro educando – nunca deixar o gosto de descobri-lo, o prazer de cultivá-lo, a graça de reencontrá-lo e de nos tornarmos determinantes em sua vida. Quando digo determinantes, não quero dizer que nos cabe determinar sua personalidade e seu destino. Ao invés, mais eficaz nossa influência, quanto maior papel tivermos exercido para que a criança se descubra a si própria, se desvende como portadora de talentos inatos, como dona de sua alma e como cumpridora do destino que trouxe à Terra, para a edificação de si própria. (Montessori)

O olhar para o outro sempre pronto para agir pelo amor é uma das conquistas mais profundas que deveria ser buscada. Cada momento é momento para fazer diferença na vida de alguém.

O amor se debruça cuidadosamente sobre o ser em crescimento e, sem afogar-lhe os impulsos de transcendência, sem abafar suas potencialidades latentes, rega de carinho e compreensão as sementes da personalidade que desabrocha novamente no corpo de uma criança. (Comenius)

A transcendência é inata, o processo na Terra é uma jornada de aprendizado, sendo que o primeiro passo daqueles que entram em contato com o Outro de permitir que a criança cresça com suas potencialidades vivas e não submetidas a condutas construídas pela cultura, que no fim das contas são condutas dos homens e, eventualmente, não ligadas ao germe da criação.

            Não era casual o carinho de Jesus dedicava às crianças, contrariando os preconceitos dos próprios discípulos, que por certo acreditavam que um Rabi, ocupado com assuntos mais transcendentes, não poderia desperdiçar seu tempo sorrindo para as crianças, acariciando-lhes as cabecinhas, contando-lhes histórias… Mas Jesus, bem ao contrário de repeli-las, tomava-as como modelos. Sim, porque educá-las pelo amor é educar a humanidade de maneira mais suave e mais segura. E dar-lhes valor é reconhecer na simplicidade e na pureza, virtudes essenciais de todo o progresso moral. (Um Educador)

A certeza da imortalidade da alma perpetua, enobrece, eleva o mandamento do amor entre os homens e ainda do amor na Educação. E o princípio da reencarnação agiganta, explica, reforça, o princípio da liberdade do ser – de todos os seres – na autonomia que Deus nos dá, de construirmos nosso destino e nossa própria individualidade. (Comenius).

            Nenhum dos trechos dos educadores indicou deveres a serem cumpridos, submissões ou regras. Nitidamente a liberdade e a autonomia foram colocadas como o meio mais seguro de relacionamento entre as pessoas, afinal, há lógica e bom senso, ao se estimular o amor como meio emancipador e não castrador.

Alexandre Mota

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Sobre Escrito e reescrito!

Escrito e reescrito é um canal para dar vazão aos esforços hercúleos de escrever uma história com começo, meio e fim! Com direito a brigas sobre o uso e hora dos pontos e as vírgulas, ou quando encerrar a setença e mudar o parágrafo, ou qual dos pretéritos se vai usar. Escrito e Reescrito é obra sempre inacabada de Alexandre P. Mota que escreve e reescreve de forma contumaz os textos que produz. Publicá-los cria para ele a ilusão e alento de que estão prontos, finalmente!
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