Trapalhadas “espíritas” – Episódio 4 – Mais aquém do que além

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Conrado Lorec, irmão de Guido e Samuel, falecera com apenas 45 anos, vitimado por repentino câncer no pâncreas.

Meses depois do ocorrido, Plínio Melo, escritor e médium psicógrafo, estava para vir na cidade onde os irmãos e a mãe de Conrado – todos espíritas – residiam. Ele iria atender as pessoas num centro espírita local e psicografar mensagens de pessoas desencarnadas. D. Matilde, a mãe dos três, quis ir, na esperança de receber uma mensagem de Conrado.

Meio a contragosto, Guido e a esposa, Miriam, levaram D. Matilde ao local. Guido é desconfiado.

Salão lotado. Muita gente ávida por receber notícias de parentes falecidos.

A presidente do centro, amiga de Guido, explicou que era necessário alguém da família reunir-se rapidamente com o médium, a fim de que ele anotasse o nome dos familiares presentes e do desencarnado.

Guido, ainda desconfiado, entrou na sala onde Plínio estava. Deu o próprio nome, o da mãe, além dos nomes da viúva de Conrado e dos sobrinhos. Como não poderia ficar devido a um compromisso, foi embora e deixou a mãe e a esposa lá.

Muita gente recebeu mensagens de seus mortos naquela noite. A família Lorec não.

Passado algum tempo, Plínio Mello estava de volta, e no mesmo centro espírita. Dessa vez, quem acompanhou D. Matilde fui sua irmã, Irene. Ela forneceu ao médium o nome dela e o da irmã. Não citou os irmãos, esposa e filhos de Conrado.

Momentos depois, a reunião começava. Lá pelas tantas, o médium psicografa a tão esperada mensagem e a lê em seguida. D. Matilde chora, muitos presentes também.

Mais tarde, a família reuniu-se para ler a carta com calma. Quando Samuel e Guido terminaram de lê-la, D. Matilde perguntou se eles acreditavam ser aquela mensagem da autoria de Conrado, o primogênito. Ambos responderam que não. D. Matilde e D. Irene, então, fizeram coro com eles. Apesar da emoção do momento, as duas, quando leram o texto, não viram evidência de se tratar de Conrado.

Era uma mensagem cheia de frases feitas, generalidades e lugares comuns. Poderia muito bem servir para qualquer pessoa. Não havia nada que a tornasse especial para os Lorec, como curiosidades ou informações da qual só a família tivesse conhecimento. Além disso, só foram citados os nomes fornecidos por D. Irene, ou seja, o dela e o da irmã. Rigorosamente. Nenhuma menção à esposa e aos filhos que Conrado deixara e que não estavam presentes por morarem em outra cidade. Nem parentes falecidos há mais tempo (pai, avós e alguns tios) foram citados por terem ajudado Conrado do lado de lá, como geralmente ocorre nesse tipo de comunicação.

Uma suposta mensagem do além que ficara aquém das expectativas. Não era Conrado. Quem era, então? Talvez uma mensagem vinda do subconsciente do próprio médium, e não de terceiros. Isso se chama animismo.

A atriz Nair Bello, falecida em 2007, perdeu, na década de 1970, um filho em acidente de carro. Foi na capital paulista. Faltavam poucos dias para o Natal. Nair e família tinham o hábito de passar a data na cidade de Limeira, interior de SP, em casa de parentes. Dias antes do acidente, Manoel, filho de Nair, disse à mãe que naquele ano não passaria o Natal em Limeira com a família. E não deu explicações a respeito. Pouco tempo depois, o fatídico acidente lhe tiraria a vida.

Nair, que não era espírita, passou um período mergulhada em profunda e natural tristeza. Até que foi levada a Uberaba (MG), a fim de, quem sabe, receber alguma notícia pelas mãos do médium Chico Xavier. Não sei quantas vezes ela foi à cidade mineira ou se a mensagem veio logo na primeira visita. Só sei que a mensagem veio. E Manoel, entre outras coisas, disse: – Mãe, lembra quando eu disse que não passaria o Natal em Limeira? Era brincadeira!

É esse tipo de informação – da qual só a Nair sabia – que faz a diferença quando se fala em médiuns como Chico Xavier e Yvonne Pereira, por exemplo.

Seria Plínio Melo um charlatão, portanto? Não. Ele talvez seja apenas um médium equivocado. Alguém que, primeiramente, ilude a si próprio com um dom que pensa ter, mas que provavelmente não tenha.

Só que é grande o número de pessoas que, ávidas por notícias de parentes que partiram – principalmente se forem filhos – deixam o bom senso de lado e acabam aceitando o que vier.

Enir Sattler, amiga minha de movimento espírita, disse certa vez a um grupo de estudos que ela coordena: – Parem de andar atrás de médiuns que supostamente psicografam mensagens! Por que tanta avidez em saber se a pessoa está bem? Se era alguém correto, boa gente, decerto está sendo bem amparado! Por que tanta ansiedade em conversar com quem já morreu? Para ouvirmos aquilo que ele sempre quis dizer – ou até disse –, mas nunca nos demos o trabalho de ouvir? Em vez disso, façam o bem e vibrem positivamente pelo bem estar de quem partiu. Dessa forma, vocês se elevarão e poderão ir ter com o ente querido durante o sono. Ou então, sentirão ele por perto sempre que ele vier fazer uma visita!

Faço minhas as palavras dela.

 

Próximo (e último episódio): Roda e avisa

Episódio 1 – Rolam as pedras

Episódio 2 – Chuveiradas e paredes

Episódio 3 – Pernas e canetas

Essas narrativas fazem parte do livro ainda inédito –  Sem Açúcar e com Kardec – de Marcelo Teixeira

 

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