Era um dia 7 de janeiro, bem me recordo. Aproveitei que estava de férias do trabalho para ir à Cidade Maravilhosa visitar algumas agências e mostrar meu portfólio. Estava em busca de uma nova colocação na área de publicidade, colocação que eu conseguiria tempos depois (eu ainda não cursava jornalismo). Eu havia marcado visita em quatro agências, todas na Zona Sul carioca. Acordei cedo, tomei café da manhã e embarquei no ônibus rumo ao Rio de Janeiro. Continue lendo →
O filósofo, professor e escritor Mário Sérgio Cortella, em palestra gravada em vídeo no ano de 2019, narra um episódio ocorrido 30 anos antes entre ele, alguns colegas e dois caciques da tribo xavante, que estavam visitando a cidade de São Paulo pela primeira vez. O primeiro local da visita era o Mercado Municipal, onde os clientes e visitantes encontram uma variada gama de frutas, verduras, legumes, importados, massas, peixes, aves, frutos do mar, doces variados… Uma abundância de comida num prédio histórico de 12.600m² que também abriga um espaço gastronômico no qual se pode provar variadas iguarias. O objetivo de Cortella e equipe era mostrar aos dois índios algo que eles nunca haviam visto: comida acumulada. Afinal, índios não estocam comida. Eles plantam, colhem, caçam e pescam.
A sociedade brasileira vive um momento de crise aguda, uma crise que afeta gravemente a saúde e o emprego do seu povo, além do meio ambiente onde vive. A fome se alastra e a violência ameaça todos e, em especial, os mais vulneráveis. Esse seria, pois, o momento em que os poderes instituídos pela Constituição Federal de 1988 deveriam unir esforços no sentido de superar tamanha crise social e econômica. Entretanto, o que se viu e ainda se vê nesse período de longa pandemia é o Poder Executivo federal caminhar no sentido oposto ao que é necessário e urgente, abdicando de seu papel de buscar soluções, para, ao invés, transgredir leis e ameaçar uma sociedade já tão fragilizada pelo momento tormentoso que passa e com o luto coletivo em que está mergulhada.
O dia 28 de junho é celebrado como o Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+. Vou utilizar a expressão orgulho gay para facilitar a escrita, mas farei um adendo, ao final, com a definição da sigla. Continue lendo →
Há alguns anos, dois amigos de movimento espírita se casaram. A cerimônia foi no sítio da família do noivo, em uma cidade distante cerca de 100km de Petrópolis (RJ), onde moro. Decidimos fretar um ônibus. Assim, todos os convidados da Cidade Imperial iriam juntos. E chegariam com mais segurança ao local, já que nem todos conhecem a cidade, e o sítio está situado na zona rural. A família da noiva é de Petrópolis; a do noivo, de outra cidade vizinha. E havia também convidados de outras cidades, inclusive da capital.
Salviano, amigo de uma tia minha, é motorista de ônibus aposentado. Mesmo assim, ainda trabalha. Adélia, esposa dele, é cozinheira de mão cheia. Para reforçar o orçamento doméstico e ajudar a pagar a faculdade do filho caçula, ela já fez sorvete, empadão e afins. Atualmente, cozinha e entrega refeições prontas. Todos os dias, quatro opções de pratos, além de guarnições e bebidas.
A 21ª edição do programa “Big Brother Brasil” (BBB – TV Globo, 2021) levou ao ar, em uma das competições, uma cena que bem evidencia o título deste artigo. Os participantes selecionados para uma das diversas provas tinham de abrir portas de armários de cozinha. Quem abrisse a porta correta, ganhava um prêmio e escapava do temido paredão. Por mais de uma vez, o apresentador do programa teve de chamar a atenção de um dos competidores. Motivo: ele não fechava as portas que escolhera abrir. Ao ser advertido pela terceira vez, o rapaz – um galalau de corpo sarado, 26 anos –, disse, de forma sorridente e despretensiosa, que tinha esse hábito em casa. Trocando em miúdos: no dia a dia, ele abre o armário para pegar, por exemplo, uma lata de leite em pó e não o fecha. Isso quer dizer que o armário fica com uma porta aberta e quem quiser que a feche. Em geral, a empregada ou, na ausência dela, aquela serviçal popularmente conhecida como mãe. Ele é o barão; a genitora, avó ou similar é a escrava, que sai arrumando a desordem por ele deixada.
Já falei sobre a escravidão arraigada na alma do brasileiro em outros artigos. Mas sempre me vejo no dever de voltar ao assunto, pois, em minha modesta opinião, ele é algo que nos infelicita como nação e impede saltos qualitativos em áreas como educação, mercado de trabalho, direitos sociais, vivência cotidiana etc.
Um dos propósitos que norteiam a Associação Brasileira de Pedagogia Espírita é o diálogo inter-religioso, o diálogo com outras filosofias, sejam espiritualistas ou materialistas, sem perda da identidade de um espiritismo kardecista livre – conforme já expusemos num manifesto publicado aqui em fevereiro de 2019.
Esse diálogo requer uma arte de empatia, respeito e reconhecimento de valor no outro e ao mesmo tempo, a preservação de um espírito crítico (não demolidor) em relação a qualquer corrente de pensamento, incluindo a nossa. Perder a mão nesse caminho é algo muito fácil, quando nos afastamos da fraternidade e nos deixamos incendiar por paixões avassaladoras. Continue lendo →
Natal de 2020. Quisera ter braços e presença para abraçar todos os que amo, os amigos próximos e distantes e mesmo os supostos adversários. Pois somos todos humanos, frágeis, nesse barco terrestre, em meio a tempestades, nevoeiros e zonas de incerteza e obscuridade.
Quisera ter voz e escrita com o alcance da consolação e da esperança para todos os que estão adoecidos física ou psiquicamente com a pandemia, com o isolamento, com o empobrecimento, com a perplexidade que nos assola. Continue lendo →
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com o frei carmelita Gilvander Moreira sobre sua atuação na Pastoral da Terra, sua relação pessoal com as lutas camponesas e a volta da Igreja à opção pelos pobres.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam sobre os principais conceitos da Pedagogia Espírita e a relação entre espiritualidade e educação. Link para se inscrever na nova turma do curso de Pós em Pedagogia Espírita – https://www.universidadelivrepampedia.com/2022-p%C3%B3s-ped-espirita
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com a educadora popular Moema Viezzer sobre o seu livro Abya Yala, que fala sobre o genocídio dos povos originários das Américas e a resistência da visão de mundo desses povos que se apresenta hoje como uma alternativa às crises […]
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam com o professor Márcio de Jagum sobre o candomblé, oralidade, o sincretismo como uma característica humana universal, e a dessincretização como forma de estudar as tradições espirituais.
Nesse programa da série Semeando Espiritualidades, Diálogo e Crítica, Dora Incontri e Mauricio Zanolini conversam sobre algumas ideias do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos a respeito do capitalismo, o colonialismo e o patriarcado.