A missão dos pais (e mães) – meditação para o dia dos pais

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Não sou pai, nem sou mãe, nesta encarnação, pelo menos do ponto de vista biológico. Mas tenho filhos pelo coração e considero as tarefas paternas e maternas das mais sagradas, importantes e vitais na existência. Em vidas pregressas, de que já me lembrei tanto espontaneamente, quanto em regressões em terapia, exerci muitas vezes essas funções, tanto de pai, quanto de mãe, e há muitos séculos, felizmente, valorizo o que significa ter um filho.

Ter um filho, como eu já disse em outro artigo, é algo que mexe profundamente com nosso egoísmo, porque temos que nos mover para fora dele, para atender às demandas da criança, par cuidar dela, prover, proteger, educar… Mas nem sempre em nossa sociedade ferozmente individualista, aceita-se e pratica-se essa abnegação, que deve ser sim, própria do exercício paterno e materno. E eis aí uma das causas de adoecimento psíquico na adolescência, com seu cortejo de automutilações e suicídios. A pessoinha não foi olhada no olho, foi negligenciada em suas necessidades de atenção, afeto, orientação, presença. Ficou sozinha muitas e muitas horas diante do tablet, do videogame, da televisão, do computador e escassamente gozou da presença apaixonada e vibrante de um pai e de uma mãe, disponíveis para ela. Esse abandono afetivo pode levar alguém a se sentir esvaziado, sem identidade – porque, como se diz em termos psicanalíticos, não houve um investimento libinidoso naquela criatura e isso arranca dela o desejo e a alegria de viver.

Disso se deduz que a missão da paternidade e da maternidade é uma missão que deve mexer com o candidato por inteiro: ele não só deve sair de seu egoísmo, mas questionar seus valores, ter claras e saudáveis metas existenciais – ou seja, pensar menos em dinheiro e mais em convivência familiar; menos em si e mais no outro; dar-se ao luxo de brincar e conversar, ao prazer de acarinhar e olhar nos olhos brilhantes dessas criaturinhas adoráveis.

Quem não tiver paciência, gosto, paixão para ser pai ou mãe, que não estrague a vida de alguém com seu tédio, com sua violência, com seu desamor. Não tenha filhos!

Do ponto de vista reencarnacionista, que é o nosso, trata-se de receber uma alma peregrina, que vem de muitas paragens, que vai se vestir de carne junto a nós, por esta vida, e teremos então a obrigação de receber bem esse espírito, acolhê-lo com amor e dar o melhor de nós para seu desenvolvimento e educação.

A visão de que a criança é um ser reencarnado, segundo Herculano Pires, sendo a pedra fundamental da Pedagogia Espírita, deveria apurar ainda mais nosso olhar. Observar as tendências que a criança traz desde cedo, seus talentos, seus desajustes … para desenvolver uns e trabalhar pacientemente os outros. Para isso, há que se olhar com olhos de ver, com amor vidente, como diria Pestalozzi, e percebendo quem é aquele Espírito e a que veio, contribuindo então para sua plena realização nessa vida.

Uma responsabilidade enorme, que se tem de assumir com maturidade e consciência, sempre se buscando a autoanálise, para que nossos entraves pessoais, nossas tendências problemáticas e descontroladas não se imiscuam com tanta força sobre o psiquismo indefeso da criança.

É certo que a criança é um Espírito antigo, com heranças passadas e individualidade própria, mas é também um psiquismo novo, que se constitui sob a influência direta e profunda dos pais. Pais amorosos, alegres, presentes, deflagram um psiquismo saudável, seguro; pais autoritários, pesados ou ausentes deixam marcas profundas de ansiedade, depressão e insegurança.

Então, os pais precisam se conhecer, precisam se cuidar, para que estejam inteiros, firmes e plenos de amor, para se oferecerem a seus filhos como contágio de bem-estar!

À parte o peso da responsabilidade e do compromisso, há por outro lado, um mar de felicidade – com ondas de preocupação, é verdade. Ser abraçado e amado pelas crianças é a maior recompensa do mundo. Seu amor é sincero, verdadeiro e despojado, porque elas ainda estão com sua personalidade plena adormecida, e estão muito mais próximas, temporariamente, de sua essência divina. Por tudo isso, ser pai (e ser mãe) é uma das mais penosas, mais belas e mais felizes missões desse mundo.

 

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Uma resposta para A missão dos pais (e mães) – meditação para o dia dos pais

  1. Alex Costa disse:

    Adorei ler esta reflexão para os dias dos pais, realmente é a abertura de um universo inteiramente novo para os pais e para o bem vindo viajante.
    Sim, viver presente essa fase, transforma ambos.
    Ps. Amei a pintura. Vou guardar

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