
Nas semanas seguintes, durante as reuniões mediúnicas, seguimos com a leitura do livro do pastor Henrique Vieira – O Jesus Negro. Focamos no capítulo O Canto de Maria (Lucas 1:46-55)*, que fala da reação da futura mãe de Jesus ao saber o seu papel naquela história. Num trecho do capítulo o pastor diz o seguinte sobre:
“O canto de Maria personifica os conceitos de liberdade e revolução. O canto se inicia com o elemento de festa de celebração: “meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador”. É fundamental perceber que a espiritualidade do evangelho tem alegria, brincadeira, canto, poesia e liberdade interior. É equivocada a percepção que a luta pela liberdade exclui o riso. É também errada a percepção de que a periferia é tão somente um lugar de tristeza. Ainda cabe dizer que não corresponde à realidade resumir a luta do povo oprimido a um processo de resistência. A tristeza tem seu valor e nos ajuda em processos de reflexão interiorização e mudança de coração e de postura; não pode ser negada o sublimada, mas deve ser acolhida e dividida com integridade. A dor é um solo sagrado que exige muito respeito.”
Ele segue mostrando que os sistemas de opressão (o racismo, que é o tema principal do livro, mas não só), inibem a alegria, mas que, apesar disso a alegria não deixa de existir. Ela persiste, e manifestar essa alegria é uma forma de questionar as relações de poder.
Diante dessas ideias os espíritos dos jovens se manifestaram:
Maria, Maria
Maria, Maria
Onde estás
Quando estamos sós?
Maria, Maria
Por piedade
Rogai por nós!
Maria, Maria
Desate os nós
Arrebenta as correntes
Que amarram nossa voz
Maria, Maria
O que podemos fazer por vós?
Vós que estais
Em todos os lugares
Vós que esteve nos Palmares
Nos altares
onde foi chamada.
Maria, rogamos por vós!
Venha sempre em qualquer tempo
Com qualquer raça
Venha cheia de Graça!
(Médium : CMM – 25/10/23)
A harmonia é do sagrado
Sabe, vou contar pra você
Minha mãe não tinha uma religião
Tipo, uma só
No altar lá de casa
Conviviam em harmonia
Maria, Jesus, os orixás
O hinário
Só que essa harmonia
Não dava conta da tirania
Que a gente sofria, dia a dia
Lutando para sobreviver
Essa harmonia é que aliviava
A dor da fome que gemia
Na hora de dormir
A harmonia não é dos homens
A harmonia é do sagrado
Iluminando a gente nas lutas da vida.
Médium: CMM
25/10/23
Minha Maria
Bonita essa fala de hoje
Minha Maria era minha mãe
Que lutou sozinha para cuidar
De mim e de meus irmãos
Contra tudo e contra todos
Saía de noite para trabalhar
E voltava de noite
Para mim, minha Maria
Parece com essa que vocês mostraram
Durante o dia não tinha Maria
Tinha solidão, desespero e agonia
Minha Maria nos deixou muito cedo
Tenho pra mim que foi encontrar
Com tantas outras Marias
Para dar suporte de lá
para as Marias que ainda estão cá.
(Médium : CMM – 25/10/23)
Dor
A gente pensa
Que Maria é heroína
E esquece que heroísmo
É feito de carne e osso
E, fala sério
Carne e osso é um negócio que dói!
Dói também
Ver seu filho sofrendo
Dói mais na gente que neles
É outro tipo de dor
Por isso que tinha que ter a Maria das Dores, né?
Saber que a dor da gente
É a dor do outro
E que Maria sofre por nós
Alivia
A gente vê que não está sozinha.
(Médium : CMM – 25/10/23)
Por que será?
Por que será
Que tem tanta gente com nome de Maria
E pouca gente com nome de Jesus?
Por que será que as Marias aceitam dar a vida a outros
E poucos se dispõem a dar a voz à causa?
Por que será que ainda há tanto a se falar sobre o óbvio
Dai e receberás
Viva para o outro
Lute pelo bem comum
Pare de pensar que tu é o centro das atenções!
(Médium : CMM – 25/10/23)
*Nota: Não se pode esquecer que no Evangelho de Lucas, nesse cântico citado por Henrique Vieira, conhecido como o Magnificat, há um trecho bastante social, em que Maria diz: (O Todo-poderoso) agiu com a força de seu braço. Dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias. (Lucas, 1: 51-53). Maria assim tem sido lembrada, através dos séculos, como a figura materna e amorosa que acolhe os mais vulneráveis e os mais excluídos. Cultuada através de suas aparições (que podem ser dela mesma ou de Espíritos femininos de sua equipe, em nossa visão espírita) em todos os lugares do mundo, da Europa às Américas, da China à África, ela representa o lado feminino do sagrado, em contraposição a uma visão masculina e punitivista, que muitas vezes projetamos em Deus. Mais do que natural, portanto, esses meninos e meninas do Além virem traduzir essa identificação com Maria e com suas mães. Isso é legítimo, profundamente arraigado na cultura popular, e deve ser acolhido e valorizado diante da intolerância que certos setores dos evangélicos e dos espíritas têm, em relação à figura de Maria de Nazaré. (Dora Incontri)
A imagem que ilustra esse texto é uma colagem feita a partir dos desenhos e textos produzidos pelos médiuns. As produções mediúnicas do nosso grupo em parceria com esses jovens estão no Instagram. Nos sigam por lá:
https://www.instagram.com/slam.mediunico/
Por aqui, no Blog da ABPE, continuaremos divulgando o andamento desse trabalho e seus desdobramentos. Segundo algumas mensagens que recebemos, esse tipo de trabalho está sendo aberto em outras frentes, então logo teremos mais novidades de outros cantos.
Para ver os textos anteriores desse projeto clique no link abaixo:
https://blogabpe.org/category/slam-mediunico/






Espetacular!
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